Desde a última vez que vocês leram este espaço, tanta coisa aconteceu. Coisas boas, coisas ruins, coisas horríveis e algumas coisas absolutamente fantásticas. Nós passamos mais ou menos 19 meses em turnê pelo “Ghost Reveries”, que é mais do que nós jamais trabalhamos para promover um álbum. Na verdade eu acho que é bem insano. Nós merecemos algum tipo de medalha por isso. Or um diploma por “Serviço à comunidade do metal”? Pra ser honesto com vocês, tiveram tantas horas difíceis, tantas horas em que você pensa que não quer mais fazer isso, mas no geral foi uma jornada incrível! Eu tento não descrever a nossa carreira de forma pretensiosa, mas não há outro modo de fazê-lo de descrevê-la que não como uma “jornada”, e tudo que isso inclua.
Eu acho que o que fez a minha maior impressão (na minha vida musical), no geral, infelizmente foram os eventos negativos, como toda essa coisa do Lopes e a saída do Peter. Martin Lopez fez o último show conosco em Sauget/IL logo na saída do “Pop’s club. Eu me lembro daquele como um bom show, apesar do dia ter sido um dos piores. Ele voltou para a Suécia logo após, e infelizmente nunca mais conseguiu juntar forças para fazer mais nada. Uma era de música grandiosa chegava ao fim diante dos meus olhos, e isso foi horrível. Lopez e eu somos amigos, mas antes de mais nada gostávamos de tocar juntos, já que nunca saímos ou fizemos muitas outras coisas como amigos.
Ele continua sendo uma parte muito importante da banda, e eu espero que ele comece uma nova banda logo que estiver pronto, e destrua tudo!
Com Lopez indisponível, estávamos desesperados para encontrar alguém que pudesse tomar o seu lugar. Eu já conhecia o Axe já a algum tempo, por causa do disco do Bloodbath em que ele tocou, mas eu não conhecia seu verdadeiro talento como baterista, e não o conhecia como pessoa. Nós nos encontramos no Sweden Rock festival, pois ele havia sido recomendado a mim pelo Patrik Jensen da Haunted, que também toca com o Axe na Witchery. Eu perguntei ao Axe sobre as suas influências, ele disse algo sobre Ian Paice e Billy Cobhan, e eu disse “Você ta dentro”!
Ele me lembrou um pouco do Gene Hoglan, pela sua incrível capacidade de memorizar músicas. Gene instantaneamente soube tocar as nossas músicas, e o Axe também. O nosso primeiro ensaio com ele foi inspirador, tocamos “Deliverance” inteira, sem nenhuma cagada maior. Eu estava impressionado! E os outros caras também. E não havia tempo para perder. Nós começamos a ensaiar o setlist e tudo saiu realmente bom. Apesar de todos sentirmos falta do Lopez, a saúde da banda em si não teve mais quaisquer problemas.
Axe é como o Coelho da Duracell por vários motivos. Ele é tão energético, cara eu nunca vi nada assim! O primeiro show conosco foi no Sziget festival, na Hungria. Nós tínhamos sido informados sobre um setlist de 45 minutos, mas assim que subimos no palco, nos disseram que teríamos que tocar por uma hora e meia. Um disastre... pois nós só sabíamos o set de 45 minutos. Eu devo ter falado tanta merda naquela noite, pra tentar disfarçar o fato de que não sabíamos tocar mais nenhuma música. Alguém havia cometido um terrível engano, e nós tínhamos que cobri-lo. Axe tocou muito bem, e eu acho que o show acabou saindo bem no geral.
Naquela noite, nós tomamos um porre. Eu dividia o quarto com Axe, e quando voltei pro quarto, estava tão bêbado que não conseguia encontrar o banheiro. Eu estava realmente apertado, mas simplesmente não conseguia encontrar. Eu fui até metade do corredor, mas não encontrei nada. Aí a coisa chegou a tal ponto em que não podia mais esperar, então mijei na banheira mesmo, só para então descobrir que a porta ao lado era o banheiro em si. Bem, bem... na manhã seguinte eu encontro Axe dormindo na banheira, no meu xixi! Aparentemente quando está bêbado ele tem a incrível idéia de tomar banho (péssimo combo). Pensar nisso me lembra que é mais ou menos como aqueles animais que marcam o território mijando! Ele é nosso!! Mas desde então ele divide o quarto com o Mendez. Não o culpo.
Lembranças favoritas? Difícil dizer, mas tem uma certamente, do nosso primeiro show no Japão. Nós tocamos no Loud Park festival em 2006, com umas bandas que já conhecíamos e outras que não. Eu realmente queria fazer uma tempestade por lá, fazer um grande show e uma grande primeira impressão. Eu me lembro que a minha mão direita ficou um pouco dormente 10 minutos antes do show, o que me assustou. Assim como Tommy Bolin, apesar de eu não usar drogas. Mas o show foi ótimo, eu acho que tocamos perfeitamente pra ser honesto. Haviam 12000 pessoas naquele teatro enorme, parecendo um hangar, e eu acho que conseguimos a nossa primeira impressão, e boa, espero. Eu mal posso esperar para voltar lá. Também encontrei Ronnie James Dio pela primeira vez. Eu, Peter, Mendez e o nosso cara do som, Oyvind fomos ao bar do hotel pra tomar um drink. Um lugar bem bonito. Mais ou menos como uma daquelas cenas de “O Iluminado”, com um interior bem anos 60. O meu gosto! E a primeira pessoa que eu vejo lá é simplesmente a porcaria do Ronnie James Dio, Deus! E além disso, o cara se levanta pra nos cumprimentar! Será que nos confundiu com outras pessoas? De qualquer forma, só havíamos nós quatro lá, além do Dio, Simon Wright e dois dos técnicos dele. Estavamo tomando uns goles e conversando. Eu perguntei a ele sobre Ritchie Blackmore...Rainbow, todas aquelas coisas, e ele pareceu feliz em conversar sobre elas. Eu devo dizer que ele pareceu ser uma pessoa genuína. Ele ficou lá conosco a tarde toda, conforme o bar ia enchendo com a elite do metal. Dave Mustaine também apareceu por lá pra tomar uma cerveja. Eu acho que paguei umas três Guinness pra ele, e ele me pagou outras três. Haha! Um cara ótimo! Eu fiquei um pouco intimidado com ele quando nos conhecemos, mas ele provou ser um cara bem legal. Aquilo foi uma cena bem legal para qualquer fã de metal. Um bar cheio de gente como Dio, Slayer, Anthrax, Arch Enemy, In Flames, Backyard babies, e é claro, nós. Quando ia embora, Dio me deu um abraço e me chamou de “filho”! haha! Incrível!
Nós tocamos tantos shows que todos eles meio que se confundem na minha cabeça. Obviamente, tocamos no famoso Rounhouse em Londres, e também gravamos esse show. Eu acho que foi tudo bem, apesar de termos assassinado o dia seguinte (claro) em Manchester. A gravação ficou boa. Tive problemas na garganta, e tive que chamar um médico para me dar uns esteróides. É por isso que eu ando tão musculoso… (brincadeira!). O show foi bem, e minha voz não desapareceu, o vídeo também foi ótimo! Ficamos um pouco nervosos com as câmeras no início, mas depois de alguns minutos, estávamos simplesmente fazendo o que sabemos, como qualquer outra noite. Tivemos um ótimo público lá, acho que foi um dos nossos maiores públicos para uma noite em que tocamos sozinhos, umas 2700 pessoas lá dentro, ótimo!
Nessa turnê, tocamos com nossos colegas da Paradise Lost, e como sempre com esses caras, eu ri feito um maluco! Nick Holmes é o cara mais engraçado que eu já conheci!
Fizemos várias outras turnês em vários lugares... EUA várias vezes com Nevermore, Devil driver, Dark tranquility, Devin Towsend band, Pelican, etc...
Na europa tocamos com a Burst, Extol e Paradise lost, mas em ocasiões separadas.
Tocamos na Australia, Nova Zelândia, Israel. Fizemos o Gigantour com o Megadeth, Overkill, Arch enemy, Lamb of god etc... Foi uma boa dose de diversão. Esses festivais são um pouco tediosos, pois você toca por 45 minutos (se tiver sorte), então precisa se distrair de alguma forma no resto do tempo. Nós até pegamos emprestado o jogo Guitar Hero, com um amigo meu da Blizzard Entertainment. Eu olhei para aquelas guitarras de brinquedo e pensei “Ah... qual é?! eu tenho 30 anos!!”. Mas eu viciei logo, e bastante. Mendez também pareceu. Tocamos o tempo todo, mesmo antes do show, o que não é recomendado! Quando tocamos os primeiros acordes de “The leper affinity” nós pensamos “E agora? Que botão tenho que apertar!?” foi horrível!!
Como eu disse antes, Dave é um cara muito legal. Eu o conheci um dia antes do primeiro show. Estávamos no bar do hotel em que estamos hospedados, e a porta trancada. De repente alguém bate, eu levanto para abrir a porta, e lá está o Dave, dizendo “Oi...Mikael....certo?”. E eu respondo “Sim....Dave..................certo?!” Totalmente intimidado, e um pouco assustado! Ele me pagou uma cerveja e conversamos por um tempo. Eu já tinha conhecido o irmão Glover, e nos demos muito bem... caras legais. James Lomenzo é oficialmente o cara mais legal do Rock! Todos nós gostamos bastante dele. Um cara muito legal. Eu não perguntei a ele sobre a White Lion, apesar de achar que eu já fui um fã, algum dia.
Bobby Blitz também me causou uma grande impressão. Esse cara é tão cheio de vida que eu me senti um velho perto dele. Ele e sua esposa são uma companhia maravilhosa, que eu realmente apreciei! Incrível! Os caras da Lamb of God também já são, é claro, bons amigos nossos, e também os caras da Arch Enemy. Então foi uma ótima turnê com velhos amigos, e fizemos outros novos.
Mais lembranças? Bem, nós tocamos na Áustria, Vienna em algum festival... não me lembro o nome agora. Fomos atrasados e apressados para chegar ao lugar do festival a tempo para o show. Quando cheguei lá, vi os caras da Tool entrando, e todos os tipos de músicos.
Estávamos com tanta pressa que tivemos que correr do carro até o camarim e nos prepararmos para o show. Quando estamos entrando no palco, tem dois caras lá, um deles é Sebastian Bach, e o outro é o seu baterista, Bobby Jarzombeck. Eu já fui um grande fã do Skid Row, então pensei “wow!” Ele veio até mim e se apresentou, e ficou totalmente “Bach-ado”.Se você o conhece, vai saber o que eu quis dizer.E ele ficou do lado do palco o tempo todo, bangueando e fazendo chifrinhos, e tudo mais. Incrível! Eu até dediquei uma música a ele.
Mais tarde, ele nos convidou para irmos ao seu ônibus tomar uma cerveja, então eu e Mendez fomos até lá. Foi um dos “grandes” momentos. Eu ri tanto que foi inacreditável. Baz é completamente maluco, e o comediante mais ácido do rock! Ele fica nos saudando a cada 2 minutos e contando histórias. Foi uma festa e tanto! Cara adorável! Se eu pudesse ter uma festa extravagante, eu convidaria o Baz para fazer os brindes! Ele ainda disse “Vocês vão ver o show da porcaria do Guns’n Roses comigo, no lado do palco”. E eu penso “Ok... então tá”. Eu não acreditava que fosse acontecer, ou mesmo que fosse possível. Mas quando chegou a hora do show, Baz nos pegou, e nos levou através dos quatro pontos de guarda (de verdade!) e estávamos dentro!
E lá estávamos, assistindo Axl a um metro de distância, abanando pra mim, Mendez, Baz, Adam e Justin da Tool, além, do Izzy Stradlin. Insano!
Eu me lembro quando passamos do último ponto de guarda, Baz ia andando na nossa frente, um cara alto pra caralho, então ele vira e diz “Quem é o cara agora?”. E eu digo “É você, cara!”.
Nós tocamos em Wacken também com o Opeth, e foi um ótimo show. Andamos com algumas pessoas legais. Nós dividimos um ônibus de volta ao hotel com David Vincent da Morbid Angel, e o Ihsahn da Emperor. Axe estava podre de bêbado, distribuindo porções de tabaco. Ele tinha uma porcaria de tabaco com sabor de cranberry, então pergunta a frase que agora é clássica (para nós) ao Vincent, com um inglês meia-boca: “Você gosta de Cranberry?” Vincent: “Não!”
Passamos um tempo com a Tool e Placebo, em um festival na Noruega. Ganhei uma garrafa de vinho do Justin, da Tool, e aqueles caras são muito legais. Espero que possamos tocar mais com eles.
Fizemos nossos últimos shows para o “Ghost Reveries” na Itália. Tivemos uma grande festa na chegada em Roma, pois faziam 10 anos desde o último show lá. Não tocamos tão bem, mas foi certamente um show memorável.
Minha esposa e Melinda, e as outras esposas e namoradas voaram para lá, para o show. Eu me lembro da Melinda sentada em cima de umas caixas de guitarras, com fones protetores de ouvido, fluorescentes, ao lado do palco. Totalmente admirada, com seu ursinho no colo. E já passava da hora dela de dormir. Ela deve ter pensado que tocávamos muito alto, pois não tirava os dedos das orelhas do ursinho. Que bonitinha!!
Depois do ultimo show, que foi em Treviso… dissemos adeus aos nossos parceiros de turnê, a grande Amplifier, e fomos para o nosso hotel. É um sentimento melancólico, depois de ter trabalhado tanto, e de repente, não tem nada no seu calendário. Eu sabia que estaria ocupado escrevendo música, e eu tinha minha família em casa, então mal podia esperar para virar a página, por assim dizer. Haviam também muitos problemas para serem resolvidos.
Ahhhh, voltar pra casa depois de turnês infindáveis... é como se eu tivesse sobrevivido a um ataque nuclear, ou algo assim. É algo bastante irreal. Meu calendário (bem, eu não tenho um calendário de verdade, é a minha esposa que diz onde ir, o que fazer, o que dizer...) está vazio...nada agendado. É um sentimento muito bom para um cara como eu. Eu sabia que precisávamos de descanso, todos nós.
Basicamente, eu queria começar a escrever coisas novas logo de uma vez, além disso, eu e minha esposa esperávamos a chegada do nosso segundo bebê. Ter filhos é ótimo, mas é também muito duro para alguém que adora as madrugadas, vinil, festas, TV, cerveja, jogos de computador, etc. Agora, ter dois... será que este é o último prego no caixão da minha juventude??
Melinda já começou a frequentar o jardim da infância, então aproveito para escrever até a hora em que preciso buscá-la, então passo o resto do dia com ela, indo a playgrounds, conversando com outros pais (que... é algo muito difícil para mim. Eu acho que eu não quero ser um daqueles pais que... você sabe... pessoas que apenas seguem as “regras”. Aquelas pessoas que comem bons jantares nas sextas-feiras.) Mas eu adoro passar meu tempo com a Melinda. Ela é a menina dos meus olhos, e eu não poderia viver sem ela. Eu ficarei feliz em me sacrificar para fazê-la feliz...
Pulando para o fim de outubro. Já acabei de escreve, e estou feliz, sinto-me seguro e eu sei que as músicas estão ótimas. Estivemos ensaiando e estamos mais preparados do que nunca. Minha cabeça simplesmente queima com tantas informações e preocupações. A qualquer momento eu serei pai novamente. Anna está... um monstro! Haha, não é verdade, ela está bem, mas nós dois queremos logo que essa coisa toda de parto passe logo de uma vez. Depois de algumas dores noturnas em 27 de outubro, fomos ao hospital (onde Melinda nasceu em 2004, e onde eu nasci em 1974).
Tudo correu bem, ao menos pra mim… eu basicamente só tive quer conversar um pouco para acalmar Anna, foi ela quem fez todo o trabalho (Tenho certeza que vocês sabem que ela não é exatamente algo que nós homens não gostamos). Mas tudo correu muito bem. Às 9 da manhã, ela deu a luz a Mirjan Ebba Maria Åkerfeldt. Uma bebê saudável, praticamente a recém-nascida mais linda que eu já vi, desde setembro de 2004. Incrível!! Eles dão a você sanduíches e café quando tudo acaba, e isso é tããão relaxante. Agora, ela é uma pequena gorducha, mas insanamente linda, e ela ri quando me vê. Eu me tornei um idiota sentimental, mas que diabos. Meus dias de Death Metal já estão enterrados há anos, e eu não estou olhando pro passado com arrependimento.
Peter Lindgren e eu começamos a tocar juntos por diversão, pois tínhamos namoradas que se conheciam, então éramos uma pequena turma que andava junta. Voltando aos anos 80, acho que nos conhecemos lá em 1988, ou talvez mais cedo. Ele tinha uma banda chamada Infinity, que era um tipo de trhash metal. Acho que nunca os ouvi de verdade. Talvez fosse só um nome. Eu estava na Eruption, e depois no Opeth. Nós estávamos meio ansiosos pois tínhamos um show marcado com a Asphyx e a Desultory, e não tínhamos baixista, então convidei Peter para tocar naquele show, e ele foi. Desde então, ele tornou-se guitarrista quando o guitarrista que então tocava conosco, saiu, e Peter já era guitarrista na verdade. Nós tínhamos a mesma guitarra, duas Yamahas com 24 casas, mas a dele era preta, e a minha branca, além disso, eu havia pintado umas manchas de sangue, e colocado alguns adesivos, inclusive o adesivo original do single 7" da Samael, “Medieval prophecy”! Mas ela era horrível, e tinha um som ainda mais horrível, pra ser honesto. Juntos começamos a tocar guitarra. O tempo todo! Havia uns riffs que eu havia escrito, inspirados pela primeira demo do At the Gates, só que tocados mais lentamente, e com mais melodia.
Nós escrevemos a maior parte das músicas do primeiro álbum no meu quarto em Hagsätra, aonde eu morava com a minha mãe. E assim que gravamos nosso primeiro álbum, aconteceu aquele “clique”, e nós sabíamos o que queríamos fazer. Peter estudava naquela época, e ele também foi para o exército, algo do qual eu tive a imensa sorte de poder passar longe. Eu era um vagabundo com um sonho, por assim dizer. Finalmente consegui um emprego em uma loja de guitarras, aonde trabalhei até a turnê do “Morningrise” em 1996, quando então saí.
Pulando uns 10 anos à frente, e Peter já não está na banda. Isso é uma loucura para mim, mas é a realidade. Eu acho que o Peter perdeu aquela chama por tocar guitarra, e talvez sua mente estivesse ocupada demais com outras coisas que não só a música. Ele gostava das turnês e tudo, mas como qualquer pessoa que tenha uma família ou esposa, é extremamente difícil ficar muito tempo longe de casa. Mesmo que eu ainda esteja em algum tipo de estado de choque, eu acho que a sua saída foi uma coisa boa para ele, e para a banda.
Se você está no Opeth, você precisa estar 100%, o tempo todo, eu acho, não existe horas de “folga”, por assim dizer, e eu acho que Peter precisava muito dessa folga. Eu preciso, quando eu preciso, é só não atender o telefone, não tocar nas guitarras etc... mas eu quero dizer, poderíamos estar trabalhando de olho no relógio, se quiséssemos. Mas jamais tive quaisquer dúvidas em minha mente, sobre o quê eu quero fazer. Peter também tinha uma educação invejável, seria um desperdício não usá-la para alguma coisa.
Vamos encarar, estar em uma banda de Death Metal não é algo muito lucrativo se você quer ter uma carreira a longo prazo, e ter uma vida decente. Eu amo isso porque eu amo música e eu não sei fazer mais nada. Peter sempre amou música, mas eu acho que o seu lado criativo precisava de outras saídas, e talvez estejamos nos dando conta disso agora, já que ele quase não vinha escrevendo tanto para a banda nos últimos anos. Eu vou sempre carregar este peso, sempre fui uma pessoa nostálgica e eu acredito no “para sempre”, mas pra ser honesto, tudo que eu quero fazer é tocar música. Se eu não estou tocando com o Peter ou com o Lopez, eu vou tocar com outras pessoas. Pessoas mudam, e não há nada que se possa fazer a respeito. Continuamos amigos hoje, e eu espero que nos tornemos amigos ainda mais próximos, agora que já não trabalhamos juntos.
Fredrik Åkesson é um tanto quanto uma lenda na cena de Estocolmo. Ele tem um tanto de trabalhos, mas seus empreendimentos no metal foram mais ou menos limitados aos trabalhos com Krux, Arch enemy, Tiamat e Talisman. Eu conhecia seus trabalhos, mas não o conhecia pessoalmente. Havia visto um pequeno show com ele em um pub em Estocolmo. Ele tinha uma Les Paul custom preta que plugou direto em um Marshall, e varreu nossas cabeças. Eles tocaram um set com alguns covers clássicos do Metal, mas foi suficiente para que eu me sentisse realmente impressionado. Eu o conheci pelo seu envolvimento com o Arch enemy, e então descobri que ele é um grande cara, honesto e com o coração no lugar. Ele passou mais tempo conosco no Gigantour do que com a sua banda, na época.
Quando Peter saiu da banda, eu havia sido informado que Fredrik havia sido convidado a sair do Arch enemy. Apesar de então estarmos passando por um período bastante dramático, acho que tivemos sorte e fomos tocados por aquele senso do “tempo perfeito”. Ele foi a única pessoa para quem liguei, e o único que fez o teste, e não olhei para trás desde então.
Conforme escrevo isto, nós acabamos de mixer o nosso último disco, e eu tenho certeza de que a sua performance neste disco irá deixá-los completamente impressionados.
A nova formação só fez um show até agora, no último verão, no festival de Iilosarirock, na Finlândia.
Tudo correu bem, eu estava um pouco chateado, mas a banda soou bem. Me lembro que antes de subir ao palco eu olhei para fora, e enxerguei talvez umas 100 pessoas. Pensei comigo “Ok, que seja, vamos logo terminar isso pra poder encher a cara”. 10 minutos depois de subirmos ao palco, a platéia encheu! Talvez 15000 pessoas foram nos assistir! Puta que pariu, demais! Obrigado! Naquela noite nós fomos a um tipo de metal club, e tomamos o maior porre. Estou de ressaca desde aquele dia, haha! Mas nos precisávamos daquilo, eu acho. Tantas coisas, nos últimos dois anos, nós precisávamos deixar escapar um pouco do vapor.
Estamos nos preparando para poder encontrá-los de novo. Alguns meses de descanso e então sairemos em turnê de novo, e vamos destruir, como dizem os posers, mas eu realmente quero dizer DESTRUIR!
As datas da turnê do Dream theater acabam de ser anunciadas, e parece que será uma turnê muito legal. Espero que possamos ir ao México, mesmo que ninguém tenha me dito ainda se temos realmente que ir até lá... * * *
Traduzida por Orchid - exclusivo Opeth Brasil.