CAPÍTULO II

Eu conheci David Isberg (vocalista de 1990 a 1992) durante a mesma época que comecei com o Eruption. Nós estávamos dentro dessa coisa do skateboard, tá ligado? Todos nós tínhamos um skate foda. De qualquer maneira, ele estava por dentro da música extrema também, e eu acho que é graças a ele que eu gosto tanto desse tipo de música. Ele me chocou quando me emprestou uma fita demo do Mefisto, chamada “The Puzzle”! Eu fiquei devastado! Eles tinham bons solos, vocais rasgados, violões, tudo! Eles eram uma maneira melhorada da maioria dos discos de Death Metal que eu tinha comprado. Junto com o Morbid Angel, Death, Bathory e Voivod, Mefisto se tornou uma grande influência para todas as minhas futuras composições. Durante o mesmo tempo em que o Eruption morreu, o Opeth veio à vida.

David formou a banda junto com alguns vagabundos de Taby. O nome foi tirado de um livro do Wilbur Smith, originalmente chamado de Opet, sem o ‘h’ no final. O significado era desconhecido para mim até que eu achei o livro há um tempo atrás, e tomei conhecimento que Opeth é a cidade da lua.

Eruption estava morto, e eu queria entrar em alguma outra banda. David havia me mostrando anteriormente o logo do Opeth, aquele antigo com as cruzes invertidas, então eu acho que fiquei um tanto interessado na banda desde que vi aquilo. Ele chegou para mim um dia perguntando se eu queria tocar baixo com eles.

Pensei que conseguiria tentar tocar o baixo, então uma tarde eu fui para o local de ensaio deles, em Taby. O negócio é que nenhum dos outros caras sabiam que eu estava vindo, e eles não queriam ‘mandar pra rua’ o outro baixista que eles já tinham. O clímax foi quando o outro baixista apareceu. Isso foi embaraçante pra caralho. Eles começaram a discutir sobre o assunto, e naquela mesma noite, o Opeth virou história, ao menos para os caras de Taby. Eles se renomearam “Crowley” e lançaram uma terrível fita demo chamada “The Gate” em 1991.

De qualquer forma eu e o David queríamos fazer algo junto com o Opeth. Nós ‘reformamos’ o Opeth como um duo. Eu me lembro da vez em que dissemos que o Opeth estava destinado a ser a banda mais malvada do mundo.

Como vocês devem ter entendido, eu era mais ou menos influenciado pelo ocultismo, mas não de uma maneira séria. As músicas que eu ouvia estavam por dentro da sonoridade distorcida, sombria e maligna dos riffs. As letras que eu e David escrevíamos eram pura loucura satânica! As duas músicas que escrevi primeiro foram “Requiem of Lost Souls" e "Mystique of The Baphomet" (mais tarde “Mark of The Damned” e mais tarde ainda “Forest of October”. Mesmo assim nós precisávamos completar a formação. Chamamos o Anders para tocar conosco e ele aceitou prontamete. Também chamamos o Nick (Döring, baixista de 1990-1991), para se juntar a nós. Para o posto de segundo guitarrista nós achamos o Andreas Dimeo (1991).

Não demorou muito até o David conseguir colocar a gente em um dos vários shows de Death Metal que aconteciam em Estocolmo naquela época.

Nós ensaiamos em uma escola, apenas usando uns equipamentos da década de 60 que achamos por lá. O show era em Fevereiro de 1991 junto com Therion, Excruciate e Authorise. Nós ensaiamos três músicas sendo que só duas foram tocadas naquele show. Eu reconheço que aquela provavelmente foi uma das piores apresentações que alguém pode ter testemunhado. Estávamos todos muito nervosos e só queríamos cancelar a porra do show e voltar para casa.

Não muito tempo depois disso, David conseguiu outro show, em Gotemburgo. Desde o último show, tanto o Andreas como o Nick saíram da banda por razões óbvias. Para esse segundo show nós perguntamos a 2 caras que tocavam numa banda de Sleazy Metal chamada Crimson Cat, se eles podiam nos ajudar no show. Um era o Kim Pettersson e o outro era o Johan DeFarfalla (Sim, esse mesmo!)

Eles estavam satisfeitos também, pensando que tocar Death Metal era a coisa mais fácil do mundo. Eu posso te dizer que eles tiveram sérios problemas para aprender nossas músicas, que haviam se tornando um tanto complexas. Mas mesmo assim o show foi muito legal! As outras bandas que tocaram foram o At The Gates (eles tinham acabado de começar a banda), Therion, Desecrator, Megaslaughter e Sarcazm. Nós nos saímos muito bem, e depois nós fomos para a casa do Adrian (At The Gates).

Todos exceto Johann, que imediatamente dirigiu de volta para Estocolmo e para sua namorada, e essa foi a última vez que o vimos no Opeth, pelo menos por enquanto. Kim encrencou conosco por mais um show. Mais uma apresentação foi marcada junto com o Asphyx e o Desultory, no fim de 1991 ou algo assim.

Eu tinha escrito uma música chamada Poise Into Celeano, que acabou saindo um pouco mais diferente do que as outras faixas. Sem blast beats, sem partes ultra depressivas. Essa música tinha passagens acústicas, harmonias, e bastante bumbo duplo!

Algumas partes dessa música acabaram se tornando a “Advent”, do nosso segundo álbum. De qualquer forma para esse terceiro show nós precisávamos de um baixista.

Eu conheci Peter há algum tempo, por ser grade amigo de sua namorada. Ele era originalmente um guitarrista, mas a sua banda Sylt I Krysset era apenas uma banda de brincadeira, e nós queríamos algo mais sério, logo ele aceitou a nossa oferta. O show foi bem legal! Pouco tempo depois do show, Kim deixou a banda, logo Peter mudou de posição e se tornou o segundo guitarrista instantaneamente. David também saiu da banda em meados de 1992 graças aos mentirosos de plantão. Honestamente, na época, eu pensei que isso era bom para banda, afinal ele não demonstrava o mesmo interesse que o resto de nós.


Traduzida por Burden - exclusivo Opeth Brasil.