CAPÍTULO V

2000 é um ano estranho na história do Opeth. Não só nós mudamos de selo (de novo), gravamos um álbum novo, mas também fizemos alguns shows! Um tanto confuso com o fato de que precisávamos ensaiar alguma coisa, eu praticamentwe havia esquecido de escrever o que viria a ser o “Blackwater Park”. De qualquer forma, eu tinha alguns riffs aqui e ali, e eu na verdade trabalhei duro nos dois últimos meses antes de entrarmos no estúdio. Fui até a casa de um velho amigo para gravar uns demos e relaxar, esperando encontrar alguma inspiração. A casa dele é (costumava ser) no interior, logo na saída de Estocolmo. Alguns meses antes eu estava jantando com um dos meus heróis musicais em Londres. Sim, Steven Wilson é uma pessoa de verdade, não uma lenda que se conta pra assustar as crianças impressionáveis junto da fogueira. É sério, eu estava maravilhado com o fato de que estávamos discutindo uma cooperação. Eu perguntei a ele se estaria interessado em produzir o novo álbum do Opeth, e ele concordou.

Isso deu novo gás a mim e aos caras, para criar material bom... realmente bom. Após ouvir as demos que enviei a ele, concordou em vir até a Suécia e ao estúdio Fredman para as sessões. Sim, aquele estúdio está tornando-se parte de nós, e temos uma vontade imensa de voltar lá.

A recém adquirida mesa de tênis de mesa (!) só veio ajudar. Nós chegamos lá em 10 de agosto, sabendo que Gothenbourg seria a nossa casa pelas próximas 7 semanas ou algo assim. O tempo era precioso, já que havíamos ensaiado 3 vezes antes da gravação. Todas as letras, e algumas partes das músicas ainda precisavam ser escritas. É assim que trabalhamos hoje em dia. E todo mundo sabe que ensaiar é um porre!!

O Hotel Stanne está aberto esta teporada, e o Mikael (sim, o vagabundo da Dark Tranquility) foi gentil o bastante para nos ceder o seu flat. Nós estávamos na verdade, morando no estúdio por mais ou menos duas semanas, e eu posso dizer: A visão de quatro caras que já não tomam banho há 10 dias, em um quarto pequeno, não é uma coisa bonita. O cheiro lá era poderoso, por assim dizer! E novamente, para nós é uma maneira natural de gravar... você precisa estar sujo e nojento, para ser capaz de libertar a “dor”!

Desta vez eu fui duro. Porém, me sinto realizado com o imenso resultado. Valeu mesmo o esforço. Steven trabalhou conosco por 12 dias, e ele fez um trabalho esplêndido. Meio que nos guiando através do mundo dos sons “estranhos” para as guitarras e a voz. Nós até conseguimos fazê-lo cantar uns versos, e tocar piano e guitarra. Nosso plano astuto funcionou de fato!

Voltar pra casa não significou descansar, é claro. MFN no telefone, Peaceville no mail e todo o resto do mundo nas nossas costas.

Felizmente, no entanto, estamos felizes, e o selo também, e também o público, primeira e principalmente!
“Blackwater Park” é uma experiência, de fato. Para ambos, a banda e os fãs, ou qualquer um interessado em música. É assim que nos sentimos, pelo menos. * * *


Traduzida por Orchid - exclusivo Opeth Brasil.