CAPÍTULO VIII

Como a maioria de vocês já deve saber, nós 4 (membros da banda) vemos as gravações de “Deliverance” e “Damnation” como as mais difíceis de nossa carreira. Nós tínhamos o trabalho no estúdio pronto no começo do outono de 2002. Andy Sneap e a Backstage productions estavam agendados para a mixagem e masterização. Peter e eu fomos pra lá apenas alguns dias após termos voltado para casa. Eu lembro de estar tão cansado que, virtualmente, apenas cheguei lá, entreguei ao Andy o disco rígido com o álbum, disse algo como: “Tá aqui, faça a mixagem!”, e então fui dormir no sofá. Eu estava num estado terrível... todos estávamos cansados, mas eu era o único que havia trabalhado praticamente 24/7. Os outros membros da banda haviam tido a oportunidade de tirar algum tempo de folga, ir pra casa, etc. Sneap começou a mixagem e tudo correu bem. Ele está nos créditos, na capa do álbum como “salvador”, pois ele com certeza salvou muito das gravações. “Deliverance” foi gravado tão porcamente, sem qualquer organização ou qualquer coisa do gênero... alguns sons soavam sujos, e alguns instrumentos, como o hi-hat, não tinham sequer um microfone próprio.
Ele precisou tirar o som dos microfones aéreos. De qualquer forma, ele provavelmente usou diversos truques que nós nem sonhamos em conhecer, basicamente, eu não quero saber. Tudo saiu bem no final, e agora já deixamos tudo para trás.

A Music for Nations estava ansiosa para começar a promover o álbum, então eles arranjaram para que alguns jornalistas viessem escutar algumas das primeiras mixagens, e sessões de fotografia foram feitas em Ripley, logo na saída de Nottinghan. Já que apenas Peter e eu estávamos lá, obviamente, as fotos da banda não estão completas. Eles haviam nos dito que as fotos seriam para algumas revistas de guitarra, mas foram usadas como promos de qualquer forma. Algo lamentável pois... bem, Opeth não é uma dupla! De qualquer forma, quando voltamos da sessão de fotos, os jornalistas estavam lá para escutar as faixas. No meio da sessão, recebi uma ligação da minha irmã, dizendo que a minha avó havia sido atropelada por um carro e que, provavelmente morreria muito em breve.
Eu fiquei obviamente chocado, não sabia o que dizer, mas eu acho que não consegui entender na hora. Resolvi sair para fumar, mas na verdade foi para chorar. Tentei me recompor e voltar para ouvir as faixas com os jornalistas mas, vocês sabem, naquele momento, Opeth não era exatamente a minha prioridade nos pensamentos.
Na manhã seguinte, bem cedo, minha irmã ligou novamente, para dizer que a minha avó havia falecido. Ela era muito próxima a mim, e foi na verdade a responsável por eu ter começado a tocar guitarra, e é por isso que eu dediquei ambos os discos à sua memória.

Quando voltamos para casa, tínhamos um show, única apresentação, agendado no centro de Estocolmo. Eu senti aquilo como uma provação, pois tudo que eu queria fazer era descansar e não pensar em música por um tempo. Tínhamos outra sessão de fotos agendada para o dia do show. Levei a banda + Mick Hutson (que tirou as fotos) para os arredores da minha infância em Sörskogen, onde tiramos as “verdadeiras” fotos promo... aquelas onde vocês me viram com um cardigã marrom (consegui um bocado de coisas por aquele cardigã!!). O show mais tarde naquele dia correu bem... as pessoas berravam pedindo músicas nova, mas não tocamos nenhuma.
Algumas semanas depois eu estava voltando para o Reino unido para terminar de graver os vocais do “Damnation”. Eu acho que estas sessões de gravação foram as que me fizeram ver “Damnation” com diferentes olhos de “Deliverance”. Foi muito bom passar algum tempo com Steve Wilson, bem como gravar os vocais. Eu havia me hospedado em um hotel no centro de Londres, de forma que Steve me pegava todos os dias, para ir ao estúdio, que ficava no seu quarto de criança, na casa de seus pais.

O lendário estúdio “No mans land” é na verdade um quarto do tamanho de um guarda-roupas, ao lado do banheiro. De qualquer forma, tudo saiu ótimo, e o álbum saiu melhor do que eu me atreveria a esperar.
Peter apareceu por lá no meu último dia de gravações, pois tínhamos alguns dias pra fazer algumas coisas da promoção do álbum. Eu me lembro da expressão em seu rosto ao ouvir o álbum pela primeira vez... sem preço! Passamos os últimos 10 dias em Londres, e também na Alemanha e França, onde tínhamos algumas entrevistas agendadas. Voltar para casa depois dessa provação foi incrível. Por um tempo, fiquei terrivelmente doente... minha cabeça girava, tive problemas de estômago, fraqueza, etc. O medico fez alguns exames, mas não conseguiu encontrar nada de errado. Então, acho que foi na verdade o resultado de todo o trabalho duro e de todas as coisas ruins que aconteceram. Fiquei assim por meses, e tínhamos alguns shows se aproximando. Os primeiros shows dos novos álbuns. Bastante importante, sim! Mas eu quase cancelei os dois primeiros shows, em razão de me sentir tão mal, mas conseguiram me convencer a fazê-los.
Nós tínhamos dois shows, um em Londres, e outro em Atenas, na Grécia. Deixem me dizer, não pude me arrepender de ter ido. Os shows foram absolutamente maravilhosos, e pareceram ser a cura dos meus males. Apesar de algum stress envolvido em toda essa coisa de turnê, eu realmente acho que o show em si tem uma porra de um efeito curativo. Depois deles, me senti como um milhão de dólares!
Bem, eu não sabia nada até então, sobre quantos shows exatamente, nós faríamos durante 2003.

O novo material parecia agradar o público. Estávamos especialmente preocupados com “A fair judgment” por não ser uma música pra se tocar ao vivo, mas os fãs nos provaram estarmos TERRIVELMENTE errados sobre isso.
Tocamos essa música em quase todos os shows do “Deliverance”. Os shows correram otimamente, no que eu me lembro. Bem, muito respeito aos nossos fãs norte-americanos por nos quererem de volta tão cedo! Saudações!
Depois dessa turnê, eu acho que tivemos dois duas de volta em casa, antes de sair novamente para Paris, para o primeiro show da turnê européia... DOIS dias de descanso!!! Insano! Eu estava com um frio terrível naquele dia em que subi no ônibus, e eu ainda estava com ele quando voltei seis semanas depois. E durante esse tempo, eu consegui deixar todo mundo no ônibus doente também! Nossa banda de suporte, Madder mortem, havia sido escolhida pessoalmente por mim, pois eu realmente havia gostado deles. O Jim, do Nevermore, foi quem os apresentou a mim, lá em 2001, quando fizemos nossa turnê de suporte a eles nos Estados Unidos. Grandes rapazes/moça e uma banda fantástica! Infelizmente, eu não tenho muitas lembranças boas dessa turnê, pois a porcaria do ônibus estava com o aquecimento estragado, e eu tinha que dormir com todas as minhas roupas, além do fato de já estar doente, tossindo feito um desgraçado!
Turnê terrível! Não cancelamos nenhum show, mas eu estava pronto para cair em pedaços.

Banguear não é legal quando o resultado vai ser cobrir a sua cara com ranho. Mas eu não havia perdido totalmente a voz, por sorte! Alguns shows incríveis nessa turnê... eu me lembro mais claramente dos shows na Holanda, pois estavam incrivelmente cheios. Fizemos um festival no grande 013 club, em Tilburg, aonde encontramos o Paradise Lost mais uma vez. Cathedral também estava lá, além do Samael. Após os shows, houve uma festa ENORME nos camarins. Todo mundo ficou completamente bêbado! Boa gente, todos eles!
Grande turnê! Nós também ganhamos o Grammy durante esta turnê, de forma que não pudemos ir à cerimônia de entrega. Eu mandei um pequeno discurso de “obrigado” em uma mensagem de SMS. Algumas semanas depois, também ganhamos o prêmio P3 de ouro. Ótimo, mas quem se importa?
Depois dessa turnê, havíamos agendado um vôo para a Australia. Acho que tivemos uma semana em casa, ou algo assim. Isso foi no meio de toda aquela coisa de SARS, e o nosso vôo tinha uma escala em Cingapura, que obviamente, estava em um dos países afetados. Tivemos uma breve reunião da banda no aeroporto de Heathrow em Londres, a respeito de ir ou não... estávamos com medo! Nós confessamos... pela primeira vez na vida, nós cogitamos o cancelamento de show por causa de medo.

De qualquer forma, decidimos ir, e quando chegamos a Cingapura, fomos imediatamente para o bar, onde ficamos bêbados! Eu cheguei a assustar umas pessoas que vestiam aquelas máscaras de boca... senti que olhavam para nós (que obviamente não vestíamos máscaras) como se tivéssemos lepra ou algo assim... bem, nós continuamos vivos! Arriscamos nossas vidas por vocês! !ha há! Oz foi fantástico e um dos meus países favoritos no mundo. Grande clima, boa gente... tudo foi simplesmente fantástico!! Apesar do fato de estarmos completamente sonolentos, quando chegamos no hotel, imediatamente pulamos na piscina.
Teve também uma partida de tênis, Peter & Lopez versus eu e Mendes... e nós ganhamos! Me queimei de verdade no sol, e fiquei vermelho como uma maldita lagosta. Nós tínhamos uma sessão de autógrafos marcada para o dia seguinte, e as pessoas riram de mim, dizendo coisas como “Andou tomando banho de sol no acampamento?” com o sotaque de Oz. Os shows foram ótimos... 5 shows, 4 com ingressos esgotados... ótimo! Mas o quê aconteceu com o pessoal em Perth? Tudo começou com um sucesso desvairado, e vocês enchendo o saco dos promotores para nos levar até lá (a turnê deveria ter tido 4 shows, e nenhum em Perth!!), e quando chegamos... havia gente jogando sapatos, cubos de gelo e garrafas durante o show!!! Por quê!? Não importa! O show foi ótimo de qualquer forma, e não hesitaríamos em voltar. Apenas livrem-se dos idiotas que atiram coisas na porta... porfavorrr!!
No caminho de volta para casa, tivemos um dia de folga em Londres (pela 654ª vez) aonde comemorei meu aniversário.
Na verdade, todos nós “ficamos mais velhos” na estrada esse ano. No dia seguinte, tivemos outro festival, o festival Inferno em Oslo/Noruega. Foi legal. Andei com umas pessoas da cena metal da Noruega. Fenriz tem uma tattoo dizendo “Velho AC/DC”…muito foda!

Então, finalmente tivemos algumas poucas semanas de folga novamente. Mas não por muito tempo. Havia a outra perna da turnê norte-americana, em suporte do “Deliveance”. Esta nós fizemos com o Lacuna coil. Outro grupo de pessoas ótimas. Essa turnê foi num geral muito boa, apesar do fato de que todos nós pudemos começar a sentir que a vida de turnês está começando a encher. Estávamos todos, começando a nos sentir realmente cansados.
Fazer turnês é estranho… você acorda, fuma um cigarro, toma um café, come uma fatia de pão-maravilha com peru e presunto, e mostarda, espera algumas horas, faz a passagem de som, espera mais algumas horas, talvez anda um pouco pela cidade (aonde você está), jantar, dorme um pouco, se prepara, hora do show, cerveja e cigarro, encontra fãs, mais cerveja, ouve música com a equipe e mais umas pessoas, dorme. É assim quase todos os dias, você tem mais ou menos apenas duas horas de trabalho real, durante o dia. O resto é basicamente coçar o saco! Mas isso cansa você de tal forma, que você logo quer voltar para casa, e quando você volta, logo dá vontade de sair de novo! Nós passamos mais de 2/3 deste ano em um ônibus de turnê! Agora tornou-se oficialmente “o que nós fazemos”!
Durante essa turnê norte-americana, nós começamos timidamente a ensaiar o material do “Damnation” para os próximos shows em suporte do álbum, mas também para uma apresentação na TV ao voltar para casa. TV4 é um dos maiores canais de televisão na Suécia, e fomos convidados para tocar duas faixas no programa especial da manhã, basicamente, um taxi me pegaria em casa às 4 da manhã. Eu estava gripado, então não pude cantar tão bem, mas tocamos direito, eu acho. Esta foi a nossa primeira, e talvez única apresentação na TV. Bem, nunca se sabe.
Durante o verão nós fizemos diversos shows em festivais. Até tocamos com o Metallica na Bélgica e com o Dio n Turquia. Velhos heróis!! Eu conheci um cara na equipe do Dio, e pedi que me apresentasse RJD.

Nós eramos os pequenos do festival, Kreator, Rotting Christ e Dio. Os camarins eram todos localizados no mesmo prédio, e o camarim do Dio era praticamente o bar do backstage. Depois do nosso sow, me disseram que eu deveria passar lá no bar e dizer oi, ou algo assim. Peguei uma cerveja e fui até lá. Ao abrir a porta do bar, consegui a atenção de todos, inclusive a do Ronnie.
Mal coloquei o pé dentro da sala, e a porcaria da porta bateu com tudo em mim, tirando a cerveja da minha mão. Derramei cerveja por todo o chão, e fui imediatamente retirado da sala pelo empresário de turnê do Dio. Mais tarde, consegui pelo menos um pôster que dizia “Michael Magic”, mas o perdi no ônibus de tour.
Também fizemos um festival na Polônia e na República Tcheca, com inúmeras outras bandas. Biff Byford da Saxon apresentou a Samael como “Samuel”, eu lembro. Ótimo! E nós dividimos uma pequena van com Anathema, que tocava músicas dos Beatles O TEMPO TODO! 5 da manhã, numa van gelada pela Polônia, os 5 cantando “She came in though the bathroom Windows”. Eu amo aqueles caras, mas naquela hora eu estava pronto para matá-los!

Decidir gravar dois álbuns também significou turnê em dose dupla. A primeira coisa que fizemos foi outra turnê norte-americana. Tivemos que cancelar duas apresentações em festivais da Finlândia, para podermos ensaiar. E fomos odiados por isso.
Nós não tínhamos sequer idéia de que tínhamos fãs na Finlândia, ainda mais que as pessoas se incomodariam com os cancelamentos. No entanto, um bocado de gente sentiu-se ofendida, mas literalmente, tivemos que fazer isso. A turnê do “Damnation” significava um set de 14 músicas que jamais havíamos tocado ao vivo, com poucas exceções. Per Wilberg havia sido convidado para nos ajudar tocando teclados nessa turnê, então obviamente tínhamos que tocar com ele, para que aprendêssemos as músicas juntos. A turnê com o Porcupine Tree também foi ótima. Tocamos em lugares ótimos como o Fillmore em San Francisco, o Metro em Chicago e o House of Blues em Los Angeles. Lá tivemos a visita de Linda Perhacs, que é basicamente minha ídolo feminina. Ela fez um álbum em 1970 que é absolutamente maravilhoso!! E ela havia vindo para assistir o show! No último show em Seattle, toquei uma música com o Porcupine Tree. Subi no palco e cantei uma das minhas músicas favoritas da PT, “A smart Kid” do álbum “Stupid dream”. Correu tudo bem, mas eu estava nervoso como um garotinho!

Quando voltamos para casa, tínhamos aproximadamente 10 dias antes do meu casamento. Tudo correu bem, o casamento em si foi mais ou menos um grande jantar e festa com todos os nossos amigos e familiares. A cerimônia levou talvez 15 minutos. Choveu um bocado, mas foi um dia legal, devo dizer. A banda estava lá, Per até tocou a marcha nupcial! Steven Wilson também tocou uma música em nossa homenagem!
E então foi sair de novo para uma curta turnê européia. Começou com 3 shows de sets duplos, um leve e um pesado. O terceiro show foi gravado e lançado em DVD recentemente com o nome “Lamentations Live at Shepard’s bush empire”. Então fizemos mais 10 shows com suportes locais. O melhor show foi o 013 em Tilburg. Ótimo!!! Algumas semanas de folga, então tivemos nossa primeira turnê escandinava.

O suporte foi da Extol, que eram ótimas pessoas e uma grande banda! Os shows foram praticamente todos bons, mas a Su&e
acute;cia não é o melhor país do mundo em matéria de Metal, para ser honesto. Produzimos montes de bandas, mas o público em si é às vezes realmente preguiçoso. Eu sei, eu mesmo sou um fã. Quando eu vou a shows, fico lá no fundo e não digo nada. Talvez seja a mentalidade sueca? Finlândia, Dinamarca e especialmente a Noruega foram excelentes!! Todos os shows nos países vizinhos foram fantásticos. Em Oslo, tocamos no grande teatro Rockfeller, e quase esgotamos os ingressos!
Lá nós tivemos um dia de folga, então eu e Per decidimos andar um pouco, e procurar lojas de discos. Tomamos algumas cervejas no infame Elm street club, e depois de um tempo, eu diria que ficamos meio entediados com o ambiente, então encontramos alguns amigos e fomos beber mais, em algum outro lugar. Eis que de repente, recebo uma ligação do Peter, dizendo que havia acontecido um tiroteio em volta do nosso ônibus. Aparentemente, alguns caras haviam roubado o posto de transporte, e tentaram esconder-se atrás do ônibus, de onde atiraram na polícia. Os Martins e mais alguns caras estavam dentro do ônibus, então ficaram no meio do fogo cruzado. Mendez me disse que nunca havia ficado tão empolgado em sua vida, mas no final, todos saímos sãos e salvos. Eu estava bebendo então, estava bem longe de qualquer bala. E até saímos nos jornais do dia seguinte: “Estrelas do rock em tiroteio”! Então tivemos uns dias de folga antes dos próximos shows. Mexico e Chile estavam na agenda.

Estávamos todos muito ansiosos, mas assim que chegamos à Cidade do Mexico, e encontramos a “organização”, nossa empolgação meio que ficou por terra. Tivemos uma sessão de autógrafos, e encontramos as pessoas legais do México, e o show foi absolutamente fantástico! Tocamos por 2 horas e 20 minutos, acho. Logo antes de subir ao palco, recebemos a mensagem de que o vôo para o Chile sairia naquela mesma noite. O promoter basicamente interpretou errado o contrato, e havia fixado uma rota de vôo simplesmente impossível. No final, o promoter havia enganado a nós, nossa equipe e os fãs chilenos. Tivemos que cancelar o show. Ficamos todos devastados e muito decepcionados. Jamais havíamos cancelado um show antes do Chile. Sei que os fãs sentiram-se enganados por nós e todos mais, mas a verdade é que nos sentimos tão enganados quanto os fãs.
Opeth tem uma credibilidade rara, que pretendemos manter intacta, e cancelar shows não apenas nos custa um bocado de dinheiro, mas também mancha essa credibilidade. E foi isso que aconteceu com o Chile. Muitos dos fãs por lá sentiram-se tão ofendidos que não são mais fãs do Opeth. Agora, eu não comecei a tocar para me tornar algum tipo de babaca que abomina os fãs. Todos nós temos o maior respeito por nossos fãs. Onde quer que toquemos, estamos dando à nossa gente o que eles querem, e que merecem por direito. Mas quando você se envolve com pessoas como as que trabalharam conosco no México e Chile, é difícil prevenir que erros aconteçam.

No final do dia, somos apenas uma banda, e não podemos evitar que os promotores sejam gananciosos ou simplesmente burros, e acredite, há muito disso na música.
Tive um curto período em casa, pois havia concordado em participar do novo álbum do Ayreon. Então levei minha esposa para a Holanda, alguns dias depois da minha volta do México. Passei alguns dias com Arjen e sua amável esposa, gravei os vocais em 4 horas e então voltei de novo para casa. Dêem uma ouvida nesse álbum... vai ser ótimo!

Dias difíceis à frente. Havia uma apresentação agendada na Jordânia, e com ela, seríamos a primeira banda de metal a tocar por lá. Apesar de que não iríamos tocar nada muito pesado, ainda é uma quebra de barreiras do metal, tocar no Oriente Médio! Ataques terroristas eram aparentemente “iminentes”, devido a alguns bombardeios, então, praticamente metade da nossa equipe saltou fora, apenas alguns dias ante do embarque. O promotor havia vendido 6000 ingressos, então sentimos que deveríamos fazer o show independentemente da situação da equipe. Ok, não seria nada profissional fazer um show sem a equipe, mas e daí?... Eu estava quase subindo no taxi para ir ao aeroporto, quando recebo uma ligação de Lopez. Eu não posso dizer que estava desesperado, basicamente, alguém muito inquieto do outro lado da linha, me dizendo que não pode ir. Ele sofria de algum tipo de ataque de ansiedade, e não havia nada que eu pudesse fazer para adiar ou cancelar o show.
Nada assim havia acontecido antes, então me senti obrigado a levar tudo muito a sério. Eu sabia que isso poderia, e iria acontecer um dia, já que estávamos trabalhando tanto, durante o ano inteiro.

Algumas horas mais tarde, meu pai me liga, dizendo que meu avô havia morrido. É estranho, mas parece que todas as coisas ruins acontecem ao mesmo tempo.
Então, as últimas semanas foram de descanso e contemplação. 2003 foi um ótimo ano para o Opeth, mas também um ano negro, em várias formas. Especialmente estes últimos dois meses. De qualquer forma, tudo está ficando melhor.
Nós ainda temos algumas turnês para fazer antes de termos feito tudo ao nosso alcance para promover “Deliverance” e “Damnation”. Cara, esses títulos ganharam um novo significado depois desse ano! 2004 vai ser razoavelmente quieto para o Opeth. Quase nenhuma apresentação em festivais e nenhuma turnê depois de Março. Eu vou escrever material novo durante o verão e assim, espero poder gravar um novo álbum, daqui um ano. De qualquer forma, se você está lendo isso, você provavelmente é um fã da música do Opeth, então...
OBRIGADO+não nos deixe!! ***


Traduzida por Orchid - exclusivo Opeth Brasil.