Duração: 65:31
Por ser o primeiro álbum, esse daí tem um lugar especial no meu coração. Nós o gravamos numa cidadezinha chamada Finspång, aonde o ‘antigo’ estúdio Unisound estava localizado, em março de 1994. Já que nós todos estávamos vindo de Estocolmo, nos sentimos como se tivéssemos saído do país, afinal nada acontecia naquela cidade em particular. Era uma calmaria mórbida. Todo mundo deve ter espalhado que quatro vagabundos estavam chegando na cidade, e imediatamente os policiais nos pararam, pensando que éramos traficantes de drogas. Dan alugou um apartamento para nós a alguns passos do que eu acho que pode ser chamado de Centro de Finspång, e foi uma espécie de ‘vida boa’ para nós quatro lá. Para esse disco nós chamamos um certo Johan DeFarfalla, um baixista, para nos ajudar com as gravações. Como todos nós sabemos, ele veio a se tornar um membro permanente da banda... pelo menos por alguns anos.
A gravação por si própria foi mais ou menos suave. O estúdio era localizado no porão de uma pequena casa, bem no meio do campo. Dan nos contou que a casa era usada em favor dos doentes mentais, e ele nos fez prometer que o acontecesse naqueles dias não fosse revelado. Como esse era o nosso primeiro disco, nós todos estávamos um tanto nervosos com isso tudo. Eu me lembro que especialmente o Anders estava preocupado com a maneira com a qual as coisas iriam acontecer.
Eu acabei tocando guitarra para servir de guia para os seus ‘takes’ de bateria. Eu acho que isso tudo durou dois dias ou algo assim, então ele havia terminado, e já estava soando maravilhoso! O resto da gravação foi bem rápido, e eu percebi que o Dan estava mais e mais por dentro das coisas que nós tínhamos. Quando chegou a hora de gravar o vocal ele estava totalmente viciado no Opeth, e eu me lembro que mais tarde ele me disse que estava bastante excitado para saber como os vocais iriam soar.
De qualquer forma, ele estava totalmente louco quando eu comecei a cantar, ele ria de excitação enquanto eu estava gravando.
Desde então ele ficou com a ideia de me usar em algum de seus projetos, e eventualmente eu acabei fazendo alguns vocais/guitarras, para o álbum ‘Crimson’ do Edge of Sanity de 1996. O único problema real que ocorreu é que nós não tivemos tempo suficiente para gravar corretamente a peça acústica, ‘Requiem’.Na verdade nós fizemos a primeira gravação no Unisound, mas o resultado não ficou satisfatório. Então essa peça em particular foi gravada em um estúdio em Estocolmo com um cara chamado Pontus Norgren como co-produtor. Ele tinha uma banda praticamente famosa de Heavy Metal, chamada Great King Rat, e eu devo dizer que fiquei impressionado com o seu conhecimento também!
Duração: 52:38
Já que o lançamento de “Orchid” foi um tanto demorado, nós já havíamos escrito grande parte do nosso segundo álbum quando o primeiro foi lançado. Mais uma vez nós agendamos o estúdio Unisound e Dan Swäno para as gravações. Dessa vez nós tínhamos um pouco mais de tempo para as gravações, já que nós agendamos o mês inteiro de Março de 1996. Nós estávamos todos muito excitados para gravar esse álbum, já que o material que havíamos escrito estava realmente fresco e novo, apesar de algumas partes datarem de 1991. E também porque a nossa faixa mais épica estava para ser gravada, “Black Rose Immortal”. Essa última foi trabalhada durante muito tempo. Eu acho que nós fizemos o básico da música em 1992, ou algo assim. Na verdade eu ainda sou muito orgulhoso por ter gravado ela!
Como mencionei anteriormente, o Unisound ficava em uma grande cidade, Örebro. Dessa vez nós quatro achamos um abrigo na residência da família Lundahl... os pais da namorada do Peter. Honestamente, eu senti que esse disco foi um pouco chato de fazer às vezes, e eu acho que eu não aproveitei o processo de gravação num todo. Foi tão chato com os takes intermináveis de bateria, click track, e todas as merdas como essas. Nós acabamos dormindo e fumando para matar o tempo. Nós também tivemos algo como o “Campeonato Opeth de Xadrez”, para passar o tempo. Peter venceu!
Eventualmente, o tempo começou a se mostrar curto para nós, e nós realmente precisávamos pegar essa merda juntos para podermos acabar tudo em tempo.
Eu e Anders escrevemos uma faixa instrumental, que estava para aparecer no álbum, mas nós simplesmente não tivemos tempo suficiente para fazer isso, o que na verdade é uma vergonha, pois essa faixa era incrível pra caralho! Eu a achei somente em uma velha fita um dia desses, e bem... talvez ela seja gravada algum dia!
De qualquer forma, o álbum acabou ficando ótimo, e as pessoas que estavam céticas sobre nós estarmos aptos a ‘bater’ o primeiro álbum não puderam negar que esse estava no mesmo nível ou até melhor do que o primeiro disco! Uma música ali, “To Bid You Farewell” foi a faixa mais melosa que já havíamos escrito, e estávamos certos de que toda essa ‘galera metal’ iria odiá-la... Nós não nos importávamos muito, afinal nós gostávamos dela. O estranho é que essa faixa que foi a mais apreciada do álbum entre nossos fãs! Nós estávamos totalmente chocados! Fora essa faixa, as minhas favoritas são: “Advent” e “Black Rose Immortal”. Esse álbum também marcou o começo de um monte de apresentação ao vivo para a gente. Durante meados do verão de 1996 nós fizemos alguns shows com os velhos heróis, Morbid Angel, e durante Novembro do mesmo ano nós embarcamos na nossa primeiríssima turnê européia com os Black Metallers do Cradle of Filth. Nós nos saímos muito bem, devo dizer.
Duração: 52:38
Muita coisa aconteceu desde o “Orchid”. Muita coisa!! O Dan acabou fechando o Unisound, então nós tivemos que procurar outro lugar para gravar. O At The Gates tinham acabado de lançar o seu “Slaughter of The Soul”, e cara, aquele tipo de som te empolgou? Maldito Death Metal rasgante, é o que eu te digo!! Eu chamei o Frederik (produtor) e simplesmente marquei um mês em seu estúdio durante Agosto/Setembro de 1997. Enquanto isso, eu e o Peter estávamos totalmente ocupados acabando todas as músicas. Eu tive que desenvolver um bom conceito lírico, e essa foi a primeira vez que eu escrevi as letras antes das músicas. Talvez deva ser esse o motivo pelo qual elas saíram tão boas. Nós tínhamos acabado de encontrar um baixista chamado Martin Mendez... amigo de longa data do nosso baterista, e ele estava cotado para tocar nesse álbum, mas já que não tínhamos tempo suficiente para ensiná-lo as músicas, e testá-las com ele, eu acabei tocando o baixo nesse álbum.
Depois de alugar um carro, nós eventualmente achamos nosso caminho para Gotemburgo, aonde os Estúdios Fredman estavam localizados. Nós realmente não tínhamos nenhum lugar para ficar dessa vez, então Frederik gentilmente nos ofereceu para viver no estúdio, até que nós pudéssemos encontrar algum outro lugar para viver. Eu dormi no maldito chão da sala de gravações durante duas semanas. Eu precisava de um ventilador, soprando na minha cara, já que o calor estava intenso demais para que eu pudesse me abanar. Peter dormiu em uma poltrona, e Lopez... esse cara estranho dormiu no chão do banheiro, usando uma pilha de revistas pornôs como travesseiro!
De qualquer forma, tirando essa luxúria, nós tivemos um bom tempo durante a gravação desse álbum. Fora os takes de bateria, eu me senti mais inspirado a cada dia/noite. A bateria nos tomou oito dias para ser gravada, e essa foi a única coisa durante as gravações que realmente me deu nos nervos. Fora isso tudo correu de forma suave.
Enquanto nós estávamos gravando os violões, a mesa de mixagem se fudeu toda, então nós tivemos que gravá-los em outro estúdio, chamado de “O Lendário Estúdio Nacksving”. Como sou um velho fanático pelo prog, eu achei ali a escolha perfeita, já que algumas das minhas bandas favoritas de prog haviam gravado ali. Esse estúdio provavelmente é o mais legal estúdio que eu já pisei na minha vida! Maravilhoso!! Só antiguidades... uma velha mesa de mixagem NIV de 1974 ou algo do gênero! Eu realmente gosto desse tipo de coisa! Quando a equipe do estúdio Fredman havia concertado as coisas por lá, nós voltamos para acabar de gravar o resto. Eu me lembro que eu e o Peter ficávamos acordados durante toda a noite gravando as linhas de baixo, e depois disso os solos de guitarras. Meus dedos tiveram alguns problemas sérios dessa vez, pode ter certeza! Quando foi a hora dos takes do vocal, eu peguei um maldito resfriado.
Meu nariz estava cheio de catarro, e eu tive que melhorar um pouco para estar apto a cantar por completo. Tirando essa ‘maldição’ eu acho que os vocais se saíram melhor do que nunca, tanto os guturais como a voz normal.
Duração: 62:31
As guitarras foram gravadas em cinco dias, talvez seis, e ficaram ótimas. Mais limpas do que anteriormente, porém não tão ‘gordas’ como no “My Arms, Your Hearse”. Essas foram as gravações de estréia do nosso novo baixista Martin, e eu posso dizer que ele estava um tanto nervoso. Como tinha ficado ótimo, usamos o baixo fretless na faixa “Melinda”, fazendo o som soar mais jazzístico por toda a parte. Depois de quatro semanas no Maestro nós voltamos para o estúdio Fredman, aonde gravamos os vocais. Nós tínhamos uma espécie de pressão de tempo, e precisávamos dos últimos dias para a mixagem. Isso me custou três dias de takes vocais. Três noites, para ser exato.
Teve um dia em que eu e o Peter trabalhamos por quase 24 horas, e acabamos ficando tão cansados que ficamos alucinados. Isso começou comigo ouvindo uma tosse enquanto eu estava na cabine de vocal. Eu olhei para fora e não vi ninguém. Eu perguntei pro Peter “Cara, você tossiu?”, “Não, porquê?”. Eu fiquei aterrorizado pensando que alguém estava ali conosco. Eu e o Peter saímos vasculhando o lugar após esses acontecimentos suspeitos. E imagine você, o novo estúdio Fredman é estupidamente grande, com um monte de salas diferentes, e fica localizado em um área industrial aonde ninguém fica rondando durante a noite.
De qualquer forma, nós acabamos não achando nada, mas o resto do dia nós estávamos certamente afetados, já que ali existia algo de assustador no ar. Com certeza isso era apenas obra de nossos cérebros cansados que tentavam nos pregar uma peça. E a tosse que eu mencionei foi de alguma forma gravado na música. Nós ainda não sabemos quem é ali, mas isso está no álbum, logo na primeira faixa.
A mixagem foi ótima, e nós gastamos apenas três dias fazendo isso. Nós também havíamos agendando um dia no estúdio Gran Finnbergs para masterizar o álbum que fizemos. Ok, mas e o álbum? Eu não consigo dizer mais nada além de que eu estou realmente satisfeito com ele, e o resto do pessoal também. E mais, eu fiquei um pouco nervoso de tocá-lo para os meus amigos. Mas todos eles disseram que aquele era o nosso melhor álbum até então, e o Hammy e o pessoal do MFN ficaram totalmente estupefatos! Eu espero que você também!
Duração: 67:13
Vejo-me sentado no banco do motorista enquanto nós quatro dirigíamos para Gotemburgo para gravar a nossa quinta obra, Blackwater Park. Esse foi o primeiro álbum que eu trouxe o título antes mesmo de começarmos as gravações. Foi bem legal trabalhar em algo que já tinha um título definido. Nossa acomodação dessa vez foi o estúdio. Na verdade, Frederik Nordstrom havia arranjado uma pequena sala perto do Studio 2 que tinha quatro camas. Isso era tudo o que precisávamos. Nós ficamos lá durante quase duas semanas, enquanto que durante as quatro útlimas semanas de gravação nós alugamos o apartamento do Mikael Stannes (Dark Tranquility). Ele estava em turnê, e nós somos amigos de longa data, então felizmente não houve problema algum.
Para esse disco eu estive gravando algumas demos na casa de um amigo. Ele tinha um estúdio e podia me ajudar a gravar todas as minhas idéias. O único problema é que ele vivia um tanto quanto longe do lugar aonde eu morava, eu precisava dormir lá quando precisava trabalhar. Mesmo assim isso foi de grande ajuda, afinal as versões mais ou menos completas das músicas foram todas gravadas lá. Para o restante das músicas eu tinha uma ideia áspera de como elas deveriam soar. E nós também ensaiamos um pouquinho. Três vezes, eu acho.
As gravações foram um tanto suaves, e a nossa ‘criatividade dolorosa’, foi agendada porque parecia mais ou menos legal.
E ainda, eu me estresso muito gravando um álbum, que é muito diferente do glamour que as pessoas pensam que é. É sempre difícil e doloroso, e é apenas questão de QUÃO difíceis as coisas irão ser. Agora que já lançamos Deliverance, olhando para trás gravar Blackwater Park foi como uma caminhada no parque. Esse álbum foi o primeiro que fizemos com Steven Wilson. Nós estávamos um tanto paranóicos tanto por gravar com ele quanto por conhecê-lo. Eu o já havia conhecido antes, mas Peter não, e ele estava bastante nervoso, eu acho.
Depois que completamos o ‘básico’ (bateria, bases, baixo + violões), Steven veio até Gotemburgo para nos ajudar a produzir os vocais limpos e as guitarras solo. Ele teve um grande impacto na gravação, e eu acho que depois de trabalhar com ele nós adentramos uma nova ‘fase’. Ele nos fez olhar para a música de uma maneira diferente, e também nos fez ficar mais ‘mente-aberta’ em relação a alguns experimentos sônicos. Suas ideias eram fodas algumas vezes, e somente pelo fato de Steven ser mais melancólico, inteligente e musical, todas as suas ideias foram... essenciais. Nós tínhamos que testar tudo. Se esse cara “normal” na nossa frente vinha com algumas ideias viajantes... elas TINHAM que ser boas!
Uma das produções do Porcupine Tree que mais amamos é a chamada voz de ‘telefone’. Nós a usamos em “Drappery Falls” e em bastante backing vocals desse álbum. Agora, trabalhando com Steve, você pode chegar e dizer “Vozes de Telefone aí”, e todo mundo saberá exatamente o que você quer dizer. Agora essa é uma característica tanto do Opeth como do Porcupine Tree, eu acho.
Opeth são porcos! Sim, você leu direito, eu disse porcos! Nós éramos tão depravados no estúdio que fomos enganados por sermos tão vagabundos. Não existia chuveiro no estúdio, logo, se você quisesse tomar um banho, tinha que ir em um lugarzinho lá perto. Eu (O Senhor Fedor) e os Martins ficamos suuuujos pelos primeiros dez dias. O primeiro a se render foi o Peter, que tomava banhos regulares.
Nós temos vídeos do processo inteiro no estúdio, e existe umas fotos nossas quando nós estávamos simplesmente horríveis. Minha própria namorada ficou com nojo de mim ao ver aquelas fotos. Quanto às gravações eu acho que tudo correu bastante bem. Nós somos umas mulas preguiçosas, então nós não trabalhamos até que queiramos trabalhar. Soilwork estava no estúdio durante a mesma época, e aqueles caras são sérios. Nós parecemos um bando de amadores se colocados em comparação. Eles estavam trabalhando o tempo todo. Quando eles iam para a cozinha para uma pausa, nós estávamos lá, na mesma pausa, que já levava três horas...
Mas isso nos ajudou em alguma forma, afinal, se não trabalhamos, todos ficam motivados e interessados. Nós não queremos que isso se torne um ‘emprego’, ou algo que você faz porque precisa fazer. Nós queremos nos divertir, desse modo só trabalhamos quando nós sentimos que é a hora.
Olhando para trás, eu não tenho nada além de poucas memórias das sessões de gravação. Eu tenho muita certeza de que foi um inferno, mas como eu disse, em comparação com nosso outro álbum, o inferno ganhou uma nova cara.
Enquanto gravávamos esse álbum nós obviamente não tínhamos ideia de que ele virar o nosso maior sucesso, superando as vendas do Still Life em 400%!
Edição Especial do Blackwater Park, contendo as músicas "Still Day Beneath The Sun” e “Patterns In The Ivy II".
Essas duas músicas eu gravei por conta própria, desde que nós no dispersamos pelo mundo. Na minha casa e na casa de um amigo, Jonas Renkses. As músicas eram uma misturada de ideias que eu havia tido antes, e agora eu havia finalmente as colocado em uma música. Guitarras e vocais, e é isso. Nua e crua. Eu gosto da maneira na qual isso saiu. Dói dizer que elas foram escritas exclusivamente para a versão especial limitada do Blackwater Park.
Duração: 67:13
Duração: 43:19
Nós chegamos em Gotemburgo e nos estúdios Nacksving na tarde de 22 de Julho. Cansado de tanto dirigir, nervoso e excitado ao mesmo tempo. Eu já tinha umas duas músicas prontas, as duas para o álbum pesado. As outras três músicas pesadas, e as dez músicas melosas ainda não estavam prontas, nem mesmo uma única palavra para as letras. Um ensaio. Nervoso? Pode apostar! Isak Edh, o dono dos estúdios Nacksving, nos encontrou e nos ‘despachou’ para uma pizzaria/bar local. Uma visão que veríamos mais de uma vez durante nossa estadia.
Nós pegamos todas as ‘manhas’ do estúdio e fomos direto para a cama. A cama, entretanto, significa ‘chão’. Nós tínhamos alguns colchões infláveis conosco para nos manter distantes do chão e das baratas que infestavam o local (hmm, desculpe, não haviam baratas). Nós tivemos que sacrificar nossas vidas normais para podermos fazer essa gravação. Dormindo no chão, o estúdio não tinha janelas, e do lado de fora estava o verão mais quente da Suécia em 3.000 (!) anos. Não havia descanso ou dias de folga em vista, logo nós começaríamos no dia seguinte.
Nós sempre usamos um click track para manter o mesmo ritmo através da música. Sem mais finais à lá “Under The Weeping Moon” para nós. No Nacksving nós estávamos surpresos em ver que o computador preferido por lá era um PC, enquanto que os outros estúdios por perto tinham um Macintosh. O software também nem era original.
Hmmmm, nós nem havíamos começado e já estávamos suspeitando das coisas. Isak disse uma vez “Nunca deu nenhum problema antes”. Obviamente nós tínhamos que confiar nele. Nós começamos a trabalhar e a cada momento algumas coisinhas começaram a acontecer... coisas que nós acabávamos quebrando, o computador ‘entrou em greve’, o gravador de fita quebrou, o synch-signal não estava sincronizando nada, os microfones da bateria misteriosamente trocavam de posição ou desapareciam. Apesar de nós darmos créditos a Isak pela triagem da maioria dos problemas técnicos que ocorreram, nós ficamos cada vez mais suspeito do cara... ele realmente sabia o que estava fazendo?
Ele gastou a maioria do seu tempo num bar local bebendo cerveja, e quase toda vez que ligávamos para o seu celular ele estava no bar, literalmente. Eu tive uma conversa séria com ele sobre seu papel nessa gravação. Nós precisávamos de sua ajuda, e não havia nenhuma ajuda para ninguém ali. Escrevendo isso, eu sinto como se tivesse contando uma piada para mim mesmo. A ‘ajuda’ de Isak é um termo absolutamente vago. No final ele estava mais ‘na linha’. Nós tivemos várias ‘reuniões de banda’ sobre assuntos como “O que nós devemos fazer?”. Nós estávamos ali para gravar a nossa música, não para concertar as merdas dos problemas técnicos, nem para aprender sobre as manhas do estúdio. No auge dessa coisa toda eu pensava somente nas músicas, e o resto dos caras também. Eles precisavam se concentrar em suas performances, e não se os microfones iriam funcionar ou se o gravador de fita iria funcionar.
Quando tudo estava bem, nós trabalhamos pra caralho. Gravando a bateria de 10 da manhã às 10 da noite, e eu então eu tinha que achar uma ideia isolada para terminar as músicas que eu tinha, e eu então escrever mais material. E todos os outros estavam meio que dependendo disso, e eu estava lá para ajudá-los com suas próprias contribuições, algo que eu realmente desejava. Lopez e eu testávamos três diferentes batidas de bateria por vez. E nós simplesmente gravávamos tudo, assim que vínhamos com as ideias. Nós tínhamos as demos básicas e Lopez meio que fez as suas ‘batidas Lopez’ por fora das minhas batidas originais. Nós estávamos trabalhando contra o relógio e nós tínhamos somente umas 5~6 horas de sono naqueles colchões infláveis no chão. Isso era ruim, bem ruim! Nós todos fumávamos pra caralho, dois maços/dia por pessoa. Sem ventilação, sem ar, sem sol, só problemas. Estressado além da conta, e apesar de nós estarmos trabalhando pesado, nós voltamos a ter os problemas técnicos, algumas vezes severos, todos os dias. Literalmente todo o dia algo acontecia para nos fazer sentir como se devêssemos parar. Apenas ir para casa e esquecer esses discos e o Opeth. Eu quis chorar muitas vezes! Essa é a minha vida e eu a vi desmoronando. E é tudo minha culpa, já que eu escolhi o estúdio e a maneira como deveríamos fazer isso tudo.
Para o som das guitarras, a ideia original era ter duas guitarras com um ótimo som, pesado e destruidor. Mas nós não tínhamos ninguém para nos ajudar a criar esse som. É bem diferente você saber que tipo de som você gosta de tocar e que tipo de som fica bom em uma gravação. Nós acabamos gravando as bases quatro vezes, com pequenas distorções em cada guitarra. Isso nos deu um som rico e cheio de texturas. Nós conhecemos esse cara, Frederik, num pub... uma noite rara, e eu estava me queixando dos problemas. Ele disse que poderia nos ajudar, e eu respondi que tudo bem.
Então, nós tínhamos esse cara que nunca havíamos visto antes nas nossas vidas, e simplesmente o conhecemos no pub, nos ajudando a ajustar um bom de guitarra. Estranho! De qualquer forma, ele é companheiro do Anders Friden (In Flames) no estúdio deles, que era uma parte do estúdio Fredman. Então ele sabia muito bem como ajustar um som de guitarra bem similar ao que fazíamos no passado.
Nós estávamos progredindo, apesar de ser lentamente. Nós tínhamos algum trabalho pronto, todas as baterias de Deliverance estavam prontas em uns dez dias, e as do Damnation em cinco.
Nós reformamos o kit de bateria para o álbum mais meloso para fazer ele soar ‘velho’. Na verdade, esse é um dos ‘raios de luz’, que eu me lembro desses álbuns. Nós estávamos com 50% finalizado... patético.
Durante quatro semanas eu tive metade de um dia de folga. Os outros rapazes estavam em uma situação um pouco melhor do que a minha, pois eles podiam ir para casa após fazerem suas partes, mas para mim era como uma prisão. E os problemas técnicos estavam aparecendo de novo.
Steven Wilson apareceu para ajudar a produzir os vocais e algumas outras coisas, e nós pudemos ver o quão ruim poderiam ficar as coisas no estúdio. Não havia como pagarmos alguém para nos ajudar a concertar os equipamentos, isso estava fora de cogitação. Nós tivemos que fazer alguma coisa. Eu fiz algumas ligações para o Frederik do estúdio Fredman “Podemos ir para aí, por favor?”. Frederik foi gentil o bastante para nos deixar ir e usar uma de suas salas de mixagem para o restante da gravação. E desde que mudamos de estúdio, as coisas começaram a ficar melhores. Eu me lembro de que estávamos nervosos pra caralho quando fomos ouvir as fitas no Friedman Studios. Eu honestamente pensei que elas deveriam estar em branco... com nada nelas.
Eu estava realmente surpreso. Tudo o que gravamos no estúdio Nacksving soava legal. Bagunçado, mas legal. Steven chegou e repentinamente o processo de gravação se tornou mais interessante. Eu estava preocupado sobre o som, e ainda mais sobre as próprias músicas... tá bom ou quer mais? Eu reconheço que esse sentimento esteve presente em todos os álbuns anteriores, então eu meio que percebi que isso é uma ‘doença comum’ das gravações. E é algo legítimo, acredito.
Todas as baterias, as guitarras base e alguns violões estavam ali. Era hora de gravar o baixo, mas estávamos sob pressão devido ao tempo. Mendez tinha apenas dois dias para gravar 16 músicas que ele nunca havia ouvido por completo, e obviamente, nem tocado por completo. Eu e ele nos sentamos durante dois dias e simplesmente gravamos tudo. Eu me lembro da primeira noite, que ficamos gravando até as 7:00 da manhã, e nós estávamos tão cansado que ficávamos rindo como crianças. Rindo de tudo.
Provavelmente não eram risadas remotas, como as de uma pessoa descansada. Eram risadas histéricas. Era quase como se tivéssemos tomado droga. Nós tínhamos que nos concentrar para que tudo soasse ‘perfeito’ ao invés de ‘legal’. Mas ele foi e conseguiu gravar tudo. Às vezes eu solto uns suspiros por isso.
Novamente, Steven fez um ótimo trabalho os vocais limpos. Ele passou apenas dez dias conosco, mas durante esses dias nós definitivamente fizemos um bom trabalho. Minha parte favorita é sessão do meio de “A Fair Judgment” é uma produção de Steven Wilson. Mágico! E ele também tocou bastante em ambos os álbuns. Para Damnation eu tive a ideia de usar alguns teclados ‘vintage’, como os mellotrons e pianos elétricos. A única coisa que eu gravei no teclado foi a intro de “April Ethereal”, logo eu não sabia tocar aquilo, nem ninguém na banda sabia, então Steven tocou todos os teclados em ambos os álbuns. Ele também fez alguns backing vocals. É uma pena ele já estar em uma outra banda!
Eu fiz os vocais guturais em umas 6~7 horas. Letras? Escrevi elas todas no estúdio, fuçando algumas idéias da minha ‘essência interna’. Eu estava escrevendo feito um maníaco por alguns dias, e eu tinha acabado tudo uma noite antes da qual eu supostamente começaria a gravar os vocais guturais. Assim como o Steven produziu os vocais limpos, eu escrevi partes específicas para cada segmento, que eu acabei usando como idéias para as letras, escrevendo sobre qualquer sobre qualquer sentimento que eu tivesse ao ouvir as partes limpas. Não importa se foi no meio de uma música. Isso tinha que ser feito de alguma forma. Os solos e as guitarras limpas foram as últimas coisas que fiz. Peter gravou seus solos primeiros e então eu gravei os meus. Todos eles improvisados no estúdio.
Para a mixagem, nós estávamos meio duvidosos sobre o assunto... quem iria fazer isso? Fredrik queria mixar, mas nós e a gravadora sentimos que deveríamos procurar alguma outra pessoa. Não que fosse muito importante para mim quem fizesse isso. Eu só queria que soasse bem. Por outro lado, depois que todas as músicas estavam prontas, logo o meu trabalho estava pronto. Para ser honesto, eu estava tão exausto que, nesse ponto, eu não me importava com mais nada. Nós eventualmente chamamos o Andy Sneap, que é premiado como um dos melhores. Isso é basicamente o porque de termos escolhido ele... eu havia escutado alguns de seus trabalhos antes, mas definitivamente não sabia nada sobre ele, fora que ele é um dos melhores, e eu estava... bem, ele iria nos ajudar, então seja o que deus quiser. Eu estava realmente doente de tão exausto. Eu e o Peter voamos até o Reino Unido, e depois para Ripley, que é aonde o estúdio do Andy está localizado, dando a ele o HD com o “Deliverance”, e então despenquei no sofá. Eu estava dormindo, Peter estava jogando ‘Paciência’ no computador e Andy estava trabalhando.
Eu disse a ele o quanto eu estava cansado, e ele disse “Vá descansar e deixe que eu cuido disso”. Exatamente o que eu queria ouvir! E ele fez um ótimo trabalho! Ele somente perguntava as nossas opiniões no final de cada mixagem, e eu posso lhes dizer que no oitavo dia dos dez que passamos lá, nós estávamos totalmente envolvidos. Quando chegou a vez dos efeitos foi quando tudo começou a soar perfeito e pesado, e eu não podia ajudar, mas estava totalmente interessado no trabalho dele.
Assim que voltamos para casa, tivemos alguns dias de descanso, mas nós tínhamos um show agendado, nosso primeiro show em Estocolmo em seis anos, então tivemos que ensaiar alguma coisa para ele. Por outro lado eu tinha mais trabalho para fazer dentro de algumas semanas. A maioria dos vocais do Damnation ainda estavam para ser terminados, e eu decidi com o Steve que eu deveria ir para Londres e gravar tudo em seu lendário home-studio, No Mans Land. Eu tinha bastante coisa para pensar, letras, o show, e ainda por cima, minha avó havia acabado de ser atropelada e morta por um carro. Eu estava estressado, exausto, e deprimido por causa da perda da minha avó.
Seu funeral foi um dia antes do meu vôo para o Reino Unido. É bem estranho como sua perspectiva das coisas muda quando uma tragédia familiar como essa acontece. As músicas que escrevi ganharam um novo significado. Pela primeira vez aquelas músicas estavam descrevendo o meu turbilhão interno, levando em conta que mais material foi escrito depois que ela foi morta. Todas aquelas músicas nunca haviam sido tão importantes. Essa é a minha vida e nada de súbito vai tirar a sua importância. Eu fiz os vocais de Damnation no Reino Unido durante uns três dias, eu acho. Essa foi a primeira vez que eu percebi que esse álbum iria ser diferente dos outros que eu havia feito antes. O resto do tempo eu passei com o Steve e sua namorada, ou então relaxando no hotel. E fique sabendo, eu não relaxei o suficiente!
Agora, olhando para trás, eu estou orgulhoso de mim mesmo, eu estou orgulhoso dos rapazes e da banda. Nós fizemos isso ser o a maior coisa que já fizemos em nossas vidas. E estamos muito orgulhosos disso.
A música que gravamos soa fantástica, e isso é algo que, de longe, nossos fãs também concordam. Fazendo uma retrospectiva eu acho que nós fomos estúpidos e ingênuos ao pensar que essa seria uma gravação fácil. Essa foi a coisa mais forte que já fizemos, e espero que a mais recompensada também. E de algo eu tenho certeza... nós nunca faremos nada desse porte novamente.
Duração: 62:31
Nós originalmente reservamos o estúdio Fascination do dia 15 de Março até o dia 18 de Abril, mas acabamos ficando até o dia 1 de Junho. Um tanto mal calculado? Certamente! Mas nós precisávamos disso. Mesmo pensando que nós tínhamos tempo abundante, olhando para trás parece que nós não fizemos nada. Como sempre nós começamos com a bateria e como sempre isso foi bem chato de gravar. Lopez estava sofrendo oscilações de comportamento, então nós tivemos que esperar até que ele estivesse pronto. Martin tocou em seu kit vermelho vinho da Premier nesse disco, mesmo já tendo garantido o seu novo endorsamento com as baterias da Tama. De qualquer forma esses takes foram os primeiros na história em que tudo correu bem. Apenas os guias da guitarra e a bateria, pessoal!! Eu estava prestes a saltar fora do barco nesse estágio em todos os discos passados...mas agora eu estava excitado. Então nós fizemos as guitarras bases. Ajustar os sons com o Jens é bem fácil e interessante. Nós tentamos vários tipos diferentes de amplificador, trocamos válvulas, etc... Nós acabamos usando os Laney, Mesa Boogie, Vox e alguns malditos Pod. Eu os odeio, porém não posso negar que eles soam ótimos ocasionalmente. As bases ficaram prontas bem rápido, porém mais lentas que normalmente. Sete dias para as partes elétricas, enquanto que o ‘Deliverance’ custou apenas três. Jens é muito, mas muito detalhista, mas o resultado final é tão bom e consistente, que acabamos deixando isso para lá. Eu sou bastante confidente com as minhas músicas e “ninguém vai ficar me dizendo blá blá blá”, mas acho que eu precisava dessa pressão para tocar melhor do que nunca.
Os solos foram gravados como um raio para mim! Todas as músicas, exceto duas, foram escritas em uma afinação aberta, logo os solos deveriam ser feitos dessa maneira também. Isso significava que eu não poderia usar meus velhos licks, mas pensar bastante nas notas que eu queria usar. Pessoalmente eu acho que os solos desse disco são de longe os melhores de todos. Peter escreveu alguns licks muito bons, mas nós dois concordamos que era difícil pra caralho escrever solos nessa afinação, mas isso nos ajudou a fazer algumas coisas legais pelo menos! Os violões estavam meio ‘arrastados’ já que não entoavam tão bem quanto as guitarras. Se você já trabalhou com Jens, essa é a sua preocupação principal. Ele irá afinar cada maldito acorde se ele precisar. Para ser honesto eu não me importo muito se algo está desafinado aqui ou ali, mas ele é meio que alérgico a isso. Mesmo que ele não ouça, ele consegue ver o que está fora do tom. De qualquer forma, as partes acústicas foram gravadas no meu Martin 00016GT e no meu Takamine 12 cordas. Existem várias partes do 12 cordas no álbum, que já são curiosas o suficiente. Para as partes elétricas foram usadas a minha velha companheira dos anos 80, a PRS Custom azul, enquanto Peter usou a sua Custom 22 corte simples, mais a Stratocaster do Jens que nós também usamos em algumas partes. Mendez gravou os seus takes de baixo bem rápido, basicamente tocando os seus três Fender Jazz Bass, um fretless que eu não me lembro se ele usou ou não... eu acho que sim. Suas linhas de baixo nesse álbum estão magníficas, pessoal. Seu melhor trabalho até então.
Duração: 62:31
Não houve discussão sobre o lugar na onde iríamos gravar o álbum. Nós estávamos tão felizes com o Jens e o estúdio Fascination e eu não consigo me lembrar de conversarmos sobre outros estúdios. Minto, eu provavelmente disse que queria gravar em Estocolmo, apenas por ser perto de casa... mas nós esquecemos isso já que ninguém procurou nenhum estúdio confortável por aqui. Malditos roqueiros folgados... eles são os culpados! De qualquer forma, os estúdios FS têm duas salas de mixagem e o Jens preparou um cronograma que nos permitiu estar prontos em cinco semanas, ao invés dos dois/três meses que o ‘Ghost Reveries’ levou para ser gravado. Com o cronograma eu podia ir para casa nos finais de semana, às vezes podia ir na quinta e ficar até segunda. Mas isso tudo dependia de eu poder controlar a minha necessidade de meter o dedo em cada uma das músicas que estamos fazemos. Isso foi um alívio para mim na verdade e eu acho que foi bastante saudável para os outros não me ter fungando atrás de seus pescoços.
Nós ensaiamos por cinco ótimas semanas e então nós estávamos preparados. Eu tinha todas as músicas do álbum escritas e uma faixa extra não muito longe de ficar pronta. Eu investi um pouco em um estúdio caseiro, bem pequeno, somente um Pro Tools LE e um computador, alguns plug-ins e um microfone ( que me custou $100). Isso me permitiu escrever e completar as músicas enquanto voltava pra casa. Eu tinha ótimas demos (eu acho) de cada uma das músicas, então eu e os caras podíamos escutá-las e trabalhar algumas partes, mudar os arranjos ou até desfazer algumas partes.
Originalmente eu queria fazer uma versão metal para “The Drifit” de Scott Walkers; mas isso provou ser impossível, pois ele tem uma cabeça mais ‘doente’ que a minha, e eu também adoro melodias e dinâmicas. De qualquer forma existem várias partes que foram diretamente inspiradas no Scott. Eu queria que o álbum fosse sombrio, e eu acho que esse é o mais sombrio que já gravamos. Os acordes maiores soam sombrios por alguma razão. Ouvindo o álbum eu consigo perceber como a banda progride de música em música. Esse é um álbum transitório de uma forma ímpar, mas eu não sei realmente para aonde ele está nos levando.
De qualquer forma gravar esse álbum foi tranqüilo, tranqüilo. Axe finalizou as partes da bateria em uns seis dias, algo que não fazíamos desde o ‘Orchid’. Isso foi animador! É bem empolgante ver o Axe tocar. Para mim ele é incrivelmente talentoso! Eu posso dizer honestamente que essa é uma das melhores performances de bateria que já ouvi na vida. E o que dizer sobre a outra nova ‘criança’? Bem, Frederik já pegou o comando e nos ajudou pra bastante com tudo. Se tinha uma parte que eu tava com dificuldades de executar eu chegava “Ei, toque isso aí” e ele ia e tocava. Eu acho que as nossas bases nesse último álbum estão mais firmes do que e ainda muito mais vivas do que antes. E quando ele nos trazia seus solos... bem, porra... esse cara está fazendo de mim um mané da guitarra. Eu não preciso me concentrar para fazer nenhuma dessas técnicas de fritação, esse cara simplesmente arrabenta tocando elas. Eu prefiro me concentrar no que eu faço melhor (eu acho), que são os solos emocionais. Eu sou o ‘mão lenta’ do Death Metal [risos].
Foi bem divertindo preparar as guitarras. Nós usamos PRS para todas as bases e Laney, um Engl e um Mesa para as guitarras. Eu tenho um novo amp Lionheart que é maravilhoso e que também é usado para o Hammond do Per. Para os solos nós usamos a minha amada PRS Modern eagle, uma Stratocaster 1970, uma SG ’63 e a a linda Black LP Custom do Frederik. Eu acho que nós usamos também o meu velho ‘burro de carga’, uma PRS 24 Custom azul. E um Hollowbody II foi usado para algumas partes limpas. As partes acústicas nós fizemos com o meu Martin 000-28 que soou maravilhoso como sempre, e o violão clássico foi o meu velho Landola, assim como o meu Amalio Burget que nós descartamos por estar soando muito insosso... loucura, você pode dizer para mim, mas ele caiu fora mesmo assim.
Axe tocou com o seu novo kit DW que é simplesmente doce para os olhos! E para os ouvidos também... e cara, aquela bateria soou tão insanamente bem! Mendez alguns Jazz Bass e um baixo P, além de um bem sonoro Musicman. Ele nunca tinha usado um desses antes, mas ele soa bem profundo e claro.
Per tocou o seu Nord pelo meu Lionheart e um genuíno gabinete Leslie de madeira, e também tocou o seu Nord por um Fender Bassman, eu acho. Nós nos concentramos em tirar um som bem orgânico e um pouco mais sujo do que o último disco, e isso você pode/vai ouvir. Jens tem um novo pedal de eco que soa como eco de fita e é desse tipo de som que eu realmente gosto.
Nós tínhamos um monte de microfones para a guitarra... sete, eu acho... loucura, mas eles soaram muito bem! Os mellotrons tem uma sonoridade um pouco mais suja do que o comum e a produção vocal foi diferente para cada faixa. Na verdade, um arranjo muito interessante de todas as idéias sobrepostas.
Pela primeira vez em anos nós nos divertimos nas gravações gravando esse disco. Todo mundo estava com o espírito em alta. Nós pensávamos que todos iam se sentir como se tivessem que provar algo depois que toda essa merda que aconteceu, mas na verdade estávamos todos calmos e só queríamos gravar alguns clássicos, entende?
Os vocais ficaram ótimos, eu acho. Eu tinha todos os vocais limpos escritos com antecedência, mas escrevi todos os guturais no estúdio, assim que eu acaba as letras ali. Voltando pra casa eu só improvisava algumas letras e na maioria das vezes elas resultavam em coisas muito boas. Só fiz misturar algumas coisas. Eu me lembro que teve até uma vez que apelidei uma linha com o nome da música do Rooting Christ “The forest of N'gai” para poder usar nas demos.
Traduzido por Burden - exclusivo Opeth Brasil.