ENTREVISTA COM MARTIN MENDEZ

Publicada dia 1º de Janeiro de 2009.
Traduzida de: MetalStorm por Burden.


Olá Martin! Nós estivemos no Hellfest em Milano esse verão. O que você vem fazendo desde aquele dia?

Martin: Bem, nós estivemos em um monte de festivais esse verão e também fomos para a Austrália, Japão e Estados Unidos. Nós excursionamos bastante...


E como isso está sendo?

Martin: Muito bom!


E você conheceu bastante gente, creio eu.

Martin: Com certeza, bastante!


Quando você começou a gravar o Watershed, o que você sentia? O que você sentia no começo das gravações?

Martin: Bem, as gravações são sempre estressantes, essa não é melhor coisa na carreira, eu acho. Mas dessa vez nós tivemos tempo de ensaiar e tocar as novas músicas. Nós tivemos cerca de um mês antes das gravações para ensaiar com a banda completa, tentar coisas diferentes e aprender as músicas. Então dessa vez eu acho que foi mais fácil de alguma maneira.


Você tem uma visão precisa do produto final quando você começa-o?

Martin: Na verdade não... Bem, esse último foi mais claro, talvez porque o Mikael fez umas demos antes, e nós sabíamos o que fazer antes de começarmos as gravações. Nós sempre íamos para o estúdio quando as canções ainda não estão finalizadas, mas dessa vez elas já estavam prontas com antecedência.


Durante toda a sua carreira, o que mais te surpreendeu e o que você não esperava que acontecesse?

Martin: Opa, isso é difícil de dizer! [risos] Mas você tá ligado, nós estamos aqui, e nós estamos tocando na frente de um monte de pessoas. Essa é provavelmente a coisa mais surpreendente para mim.


O que representa o fato de estar no palco para você?

Martin: Opa, essa é a melhor parte, eu acho. Porque no palco você esquece de todas as outras coisas, você se diverte estando lá. O resto é tudo uma dor no rabo... bem, você sabe que esse é o porque de estarmos aqui.


E o que você acha da audiência? Você acha que todos nós temos algo em comum em todos os países?

Martin: Hmm, são todos os mesmos em todos os lugares, e isso é uma coisa boa, eu acho! Talvez fosse mais forte em alguns lugares antigamente, mas agora é como se estivéssemos no paraíso, seja lá onde estivermos, e isso é um ótimo sinal.


Qual foi o maior preço que você teve que pagar para ser um músico?

Martin: O preço mais alto... bem, todos nós temos famílias com crianças, e esse é provavelmente a pior coisa do mundo estar longe deles. Você sente saudades da sua família, da sua casa e você não tem muito tempo com eles.


Bem, Leo do Pain of Salvation...

Martin: Ah, o baterista. Eu conheço ele!


Bem, ele nos disse outro dia que não é fácil viver fora de sua terra natal sem seus velhos amigos, etc...

Martin: Com certeza, essa não é a melhor troca... É um país diferente, um idioma diferente, uma cultura diferente e isso não é fácil, definitivamente. Isso leva tempo e você tem de ser forte. Eu estive bem perto de dizer “Foda-se essa merda, eu vou voltar para meu país” mas você sabe, você precisa acreditar e amar o que você faz, e com o tempo isso simplesmente chega. Mas a Suécia é bastante diferente, principalmente para alguém como eu, que veio da América do Sul.


Você vai bastante pra lá?

Martin: Bem, algo em torno de três vezes ao ano... eu tento ir lá o máximo de vezes que eu posso, só que uma longa viagem...


O que você pensa da cena do Metal atualmente? Você se sente próximo de algumas bandas ou distante da maioria delas?

Martin: Bem, eu conheço muitas bandas durante turnês e festivais, e isso é bastante legal! Mas falando na música, eu não estou muito interessado na nova cena porque eu acho que não há mais tantas bandas boas como no passado... Mas as pessoas são legais e tentam fazer uma boa música, e isso é legal...


Diga-nos as melhores qualidades dos músicos da sua banda!

Martin: Opa, da nossa banda? Bem, você sabe que eles são todos ótimos músicos e eles amam a música. Eu acho que muitas bandas perderam a ‘amizade’ por causa do estrelismo, mas nós não somos assim. Eu realmente amo esses caras e suas músicas, e eles estão todos se tornando cada vez melhores. Eu estou muito orgulhoso de tocar com esses caras.


Eu acho que o Opeth está cada vez mais progressivo, se eu puder usar essa palavra para descrever suas músicas. Vocês todos desejam seguir esse caminho ou algo ainda mais complexo no futuro?

Martin: Bem, eu não acho que nós vemos a nossa música dessa maneira. Nós não tentamos pensar nisso, isso é simplesmente assim. Nós não queremos ser mais extremos ou progressivos, nós só queremos fazer algo diferente o tempo todo. E agora isso soa ótimo para nós. Nós não somos uma banda que quer mostrar algo. Mas nós tentamos ser diferentes sim.


Você por acaso já tem algumas futuras músicas na sua cabeça?

Martin: Na verdade não, ainda.


Então você está apenas excursionando e focalizando nisso?

Martin: Absolutamente. E nós iremos ver o que acontecerá mais tarde.


Então, como o Mikael trabalha? Ele escreve músicas em turnê ou apenas em casa?

Martin: Ele só trabalha em casa. Você tá ligado que é uma vida bem estressante na estrada. Logo isso não é fácil para ele.


E sobre você? Porque todos nós sabemos que ele escreve músicas, mas e sobre você? Não tem nenhuma ideia, riffs?

Martin: Na verdade não. Mikael é o único que escreve músicas e ele o faz sozinho. Claro que quando nós ensaiamos nós todos podemos chegar com ideias, mas isso de escrever músicas é negócio dele!


Você não gostaria de escrever suas próprias músicas um dia e ter seu próprio projeto?

Martin: Claro, porque não? Mas sobre o Mikael, todos nós temos bastante respeito por ele, porque ele criou a banda. Mas você sabe que o Fred veio com algumas melodias para o Watershed... Se um dia eu achar algo ótimo eu irei trazer para a banda, certamente, mas por enquanto eu apenas estou na banda e mantenho o meu lugar.


Sobre sua gravadora, quais são as diferenças de trabalhar com uma gigante como a Roadrunner Records?

Martin: Eles estão fazendo um ótimo trabalho com a divulgação, mas isso é a única coisa que eles fazem. Para as outras coisas, nós trabalhamos com o nosso empresário. Mas essa é uma grande e ótima gravadora que faz um ótimo trabalho de verdade, e isso ajuda bastante a banda.


E eu suponho que eles estão ajudando bastante a ‘conquistar’ o mercado Americano, certo?

Martin: Verdade! E isso é muito bom! Claro que a gravadora nos ajuda lá de alguma forma. Mas nós tivemos a chance de ser fortes lá desde a primeira vez que tocamos nos EUA. Parece que um monte de gente está interessada na nossa música. A banda tem uma ótima base de fãs lá desde o começo.


E quais são as diferenças agora? Você provavelmente vende mais CDs...

Martin: É, provavelmente, mas com a gravadora ao nosso lado nos ajudando com uma ótima promoção, e isso funciona porque estamos em um monte de revistas por lá, mas eles não fazem muitas outras coisas.


Quando você toca as novas músicas você sente algo diferente de quando toca as antigas?

Martin: Na verdade não, porque se você quer tocar as músicas antigas você tem de ensaiar, e se você não tempo de ensaiar, sempre fica difícil de tocá-las. É a mesma coisa com as novas músicas. Agora elas estão funcionando porque a gente as toca bastante, mas você tem que trabalhar. Acho que as músicas novas são difíceis de tocar porque elas são mais técnicas, mas eu acho que quando isso se torna uma rotina significa que você pegou o jeito e você não vai ficar ‘tropeçando’ nunca mais.


Para finalizar, você tem alguma pergunta que você gostaria que te perguntasse? Ou talvez uma pergunta que você não queria escutar?

Estava muito barulhento e o Martin não ouviu corretamente a pergunta.

Martin: Que pessoa eu gostaria de ouvir? Michael Jackson!!! [risos]


Não [risos] Não uma pessoa, mas uma pergunta... mas essa é uma boa pergunta também! Com que artistas você gostaria de tocar? Provavelmente Michael Jackson [risos].

Martin: Sim! Michael Jackson é uma resposta perfeita [risos].


Bem, mas e sobre a pergunta?

Martin: Eu não sei... talvez algo sobre o simbolismo da música para mim... Mas... Ei, você fez um grande trabalho! [risos].


Obrigado pelas suas respostas Martin, e se divirta essa noite!

Martin: Obrigado rapazes! Será ótimo de certeza!