ENTREVISTA COM MARTIN MENDEZ

Traduzida de: LordsOfMetal por Burden.


Como está sendo a turnê para você? Qual foi o melhor show? Para você, pessoalmente, o que faz de um show um bom show?

Martin: Ótima! Nós tivemos alguns bons shows no Reino Unido. E o show em Londres foi especialmente ótimo. Nós tocamos no Shepherd Bush, o mesmo local onde nós gravamos o nosso primeiro DVD Lamentations, então foi legal ver todo aquele pessoal de novo. E foi lá que nós usamos as grandes telas de projeção pela primeira vez. Infelizmente não poderemos usá-las essa noite, já que o palco é muito pequeno. (Nota: Eu acho que a entrevista foi feita antes de algum show do Opeth, provavelmente na Holanda).


Poxa, isso é tão ruim! Então, para você o que constitui um bom show?

Martin: Eu acho que a coisa mais importante é que toquemos bem. Quer dizer, nós não ficamos fazendo outras coisas no palco enquanto tocamos, então obviamente tem tudo pra dar certo. Nós nunca fomos o tipo de banda que fica correndo pelo palco. Isso requer uma vibração totalmente diferente daquela que nós oferecemos no palco, eu acho.


E como vocês se sentem tendo uma banda lendária como o Cynic aquecendo a multidão para vocês? Você assistiu ao show deles? O que você achou deles?

Martin: Sim, isso é demais! Eles são caras realmente legais. E nós sempre fomos fãs deles, então isso é legal. Todas as noites eu vejo pedacinhos da apresentação deles, mas infelizmente não muito.


Para as pessoas que já viram o Opeth dúzias de vezes, existe alguma surpresas no set list dessa turnê? Quantas faixas do novo álbum vocês estão tocando? E qual das novas faixas é a mais divertida de tocar?

Martin: Bem, nós estamos tocando mais ou menos as mesmas músicas, já que nós não tivemos muito tempo para se preparar para essa turnê. Nós ensaiamos material suficiente para duas horas, mas na maioria das vezes nós tocamos apenas uma hora e meia. Então nós temos que fazer algumas escolhas, como sempre. Nós estamos tocando duas músicas do novo álbum Watershed: "The Lotus Eater" e "Heir Apparent".


No começo desse ano vocês também excursionaram com o Dream Theater, como foi isso? Vocês alguma vez se sentiram intimidados pela habilidade deles? E você aprendeu algum novo truque com o John Myung?

Martin: Sim, essa turnê foi bastante divertida. Os caras do Dream Theater foram realmente legais, nós não nos encontramos muito, mas eles são gente boa. Mas não, nós não ficamos assustados com eles [risos]. Eles tocam um estilo de música totalmente diferente, então está tudo bem. A respeito do Myung, foi realmente difícil entrar em contato com ele. Eu só o encontrei uma vez durante a turnê inteira. O resto do tempo ele esteve isolado, ou tocando atrás do palco, eu não sei. Então na verdade não houve muito contato, todavia eles foram caras bastante legais.


Eu percebi que na maior parte de 2008, na verdade na maior parte de todos os anos, vocês estão na estrada, viajando por todo tipo de lugar. Que tipo de influência isso tem em suas vidas? Agora está sendo mais difícil para você que se tornou um pai de família esse ano?

Martin: Bem, você sabe, claro que isso é bem difícil. É um tipo de vida bastante estranho, mas ao mesmo tempo é aquilo que nós queremos fazer. Então nós realmente queremos aproveitar o momento enquanto ele dura. Eu sabia que se tornar um pai faria isso ser um pouco mais difícil, é óbvio que sinto saudades do meu filho, mas o fim do dia é sempre o pior de tudo. E no fim da turnê minha família sempre pode se juntar a nós.


No momento você é, fora o fundador Mikael, o membro que mais tempo passou com o Opeth. Desde o álbum My Arms, Your Hearse. Obviamente o som da banda progrediu e evolui desde então. Como o seu estilo e a sua sonoridade se desenvolverem desde então?

Martin: Bem, eu acho que eles obviamente melhoraram. Eu aprendi bastante tocando com o Mikael durante todos esses anos. É difícil exemplificar algo específico que eu aprendi. Eu só acho que minhas habilidades cresceram bastante no decorrer dos anos, mas não sei exatamente o quê, nem como e nem porquê.


Você já reparou como o Opeth se gerenciou para conseguir um status tão grande na Terra, apesar de tocar um tipo de música experimental diferente da convencional?

Martin: Eu não sei, acho que é apenas a boa música que nós fazemos! As pessoas estão ficando cansadas de ouvir o mesmo tipo de música de três minutos o tempo todo, então eles estão começando a procurar por algo diferente. E é isso que nós temos para oferecer a eles.


No começo desse ano vocês lançaram o seu novo álbum de estúdio Watershed. Quase meio ano depois como você analisa o álbum? Como você se sente em relação ao material hoje em dia?

Martin: Bem, eu não o ouvi tanto como havia feito antes, mas eu ainda estou bastante feliz com o álbum. Eu acho que esse é, de longe, um dos nossos melhores álbuns. Todo mundo na banda está tocando em um nível superior ao que já tocaram antes, as composições estão melhores, o som está melhor. Tudo está melhor!


Vocês têm prontos dois vídeos pro Watershed: Burden e Porcelain Heart, duas faixas que provavelmente são as menos ‘metal’. Porque essas duas faixas? O que você acha dos vídeos?

Martin: Sim, elas são menos ‘metal’ que as outras, mas também são mais curtas. Essa foi a razão principal. E de qualquer maneira nós teríamos que editar qualquer música que escolhêssemos, então essas músicas foram as menos editadas. Se nós tivéssemos pego uma canção longa, seria um desastre. É claro que ainda existem fãs que ficaram um tanto bravos porque nós editamos as músicas, mas essa era a única maneira para podermos gravar os clipes. Se nós quiséssemos que nosso clipe fosse exibido, teríamos que fazer isso. Ninguém vai tocar um vídeo de dez minutos na televisão, então não tínhamos escolha ao fazer isso, na verdade.


E quão importante você acha que uma mídia como o vídeo-clipe é para uma banda como o Opeth?

Martin: Esse não é o aspecto mais importante de uma banda como um todo. Claro que é uma boa maneira de alcançar novas pessoas, mas nós nunca fomos uma banda ‘televisiva’.


Na maior parte da sua carreira você tocou junto com o Martin Lopez. Já fazem dois anos e meio desde a sua partida. Como você olha pra trás e vê o período do Opeth sem ele? E afinal de contas, como ele está indo?

Martin: Bem, em primeiro lugar, é certo que todo mundo está bastante feliz com o Axe (Martin Axenrot, o novo baterista). Ele é um diferente, porém maravilhoso baterista, que é tão bom quanto o Lopez, eu acho. Seu estilo de tocar é simplesmente muito diferente do estilo do Lopez. E no momento o Lopez está bem de verdade, sua saúde melhorou bastante.


De acordo com você, como o som do Opeth ganhou com a adição de Axenrot.

Martin: Eu acho que é muito difícil explicar isso, mas no Watershed Axenrot mostrou que ele é realmente capaz de tocar vários estilos diferentes, e isso é simplesmente demais. E os seus ‘blast beats’ são, certamente, um novo elemento interno para o som da banda, algo que não tínhamos antes.


Em poucas palavras, qual é a melhor coisa em tocar com o Axenrot?

Martin: Ele é simplesmente muito, mas muito agressivo, mas ele ainda tem bastante groove enquanto está sendo agressivo e isso é excelente. As pessoas pensam que ele é um robô, então isso provavelmente já diz o bastante.


E sobre tocar com Per Wiberg, Frederik Åkesson e finalmente Mikael Åkerfeldt?

Martin: Per realmente sabe como tocar teclado em uma banda de metal. Ele é um músico muito bom e é uma honra poder tocar com ele. E eu adoro o toque extra que ele deu ao som do Opeth desde que foi colocado na banda. Eu acho que as músicas antigas, dos álbuns de antes de se juntar à gente, soam muito melhores ao vivo. Como o Frederik, que é um dos melhores guitarristas que eu já vi. Ele tem uma boa técnica e pode tocar muito, mas muito rápido, mas ao mesmo tempo faz isso com um bom gosto enorme. Existe bastante sentimento nisso tudo, e ele é simplesmente o melhor! E o Mikael, fazem onze anos que eu estou tocando com ele e é uma grande honra poder tocar com esse grande compositor e guitarrista. Eu estou simplesmente feliz de poder tocar com todos esses caras.


Eu vi que ele às vezes provoca você no palco com o fato de que você cortou seu cabelo. Eu gostaria de terminar essa entrevista dando a chance pra você dizer algo sacana em relação a ele em troca.

Martin: Não, eu não me importo sobre ele fazer isso. E essa não é a razão pela qual estou deixando o cabelo crescer de novo [risos]. Eu só tive que cortá-lo porque estava cansado com ele, e ele estava ficando bastante sujo durante todas essas viagens.


Ok, eu vi a moça da Roadrunner me dando um sinal, então muito obrigado pelo seu tempo e por terminar essa entrevista. Talvez você tenha algumas palavras para os nossos leitores?

Martin: Eu gostaria de agradecer todo mundo pelo suporte. E especialmente para o povo Holandês, claro, pois esse foi o nosso primeiro ‘sold out’ da turnê! Obrigado de novo e os vejo em breve!