ENTREVISTA COM MIKAEL ÅKERFELDT E FREDRIK ÅKESSON

Publicado dia 21 de Outubro de 2008.
Traduzido de: MetalSucks por Burden.


Vocês estão indo para a terceira data dessa turnê. Como é que está sendo?

Mikael: Bom.

Frederik: Bom. Nós estamos começando a entrar no ciclo certo do tempo e dessas coisas, e se livrando um pouco dos atrasos dos aviões.


Como está sendo a química com as outras bandas? Vocês provavelmente viajaram com o High on Fire antes, mas talvez não com o Nachtmystium, certo?

Mikael: Não, nós nunca viajamos com eles. Nós nunca encontramos esses caras, estamos começando a nos familiarizar com eles. Eles parecem ser pessoas legais, mas nós ainda não saímos juntos o bastante. Nós temos tempo, afinal a turnê vai até Outubro, mas não com o Nachtmystium; eles estão saindo no meio da turnê.


Você teve a chance de assistir às outras bandas?

Mikael: Sim, eu assisti a um pouco deles ontem. Eu já tinha visto High on Fire antes, claro.

Fredrik: Eu vejo as duas primeiras músicas do High on Fire todas as noites. Eu gosto deles.

Mikael: Nachtmystium é legal.


Eles são mesmo legais. Vocês fizeram a Progressive Nation Tour com o Dream Theater no começo desse ano. Como foi aquela turnê?

Mikael: Foi uma boa turnê. Foi um longo tempo de espera, de certa forma. Nós estávamos planejando em viajar com eles antes, e nós recebíamos ofertas para entrar em turnê com eles, mas nada nunca havia acontecido [Antes da Prog Nation]. Nós estamos muito felizes em finalmente estarmos aptos para fazer isso. Eles são uma dessas bandas que eu ainda ouço. Foi bem legal finalmente poder viajar com eles e conhecê-los um pouco.

Fredrik: Eu tive uma Jam com o John Petrucci por uma hora, e isso foi bem legal. Nós trocamos alguns licks. Para nós do Opeth isso foi bom porque nós pudemos testar algumas novas músicas antes do novo disco ser lançado. Então eu acho que fazer essa turnê nos trouxe algum bem, afinal muitas pessoas a assistiram.


[Para o Frederik] Como um cara novo na banda como está sendo para você se acostumar com a rotina e de tocar com esses caras ao vivo?

Fredrik: Oh, eu sinto que estou crescendo bastante dentro da banda. Eu conhecia todos os caras antes mesmo de me juntar a eles, então isso facilitou a química entre nós. Eu estava familiarizado com a música, mas isso leva tempo para ‘esquentar’.


[Para Mikael] E pela sua perspectiva?

Mikael: Bem, isso tem sido como se estivéssemos tocando há um bom tempo juntos. Ele está na banda há um ano e meio, mas está tudo tranquilo. Nós meio que puxamos o seu saco. Bem, eu puxei, principalmente no palco. Não sentimos como se fosse nós e ele, é somente nós. Nós nunca tivemos um problema sequer.

Fredrik: Nós nunca chegamos ao ponto no qual eu ficava “Eles estão conversando pelas minhas costas? O que será que estão falando?”. Não foi assim, nem no começo. Eu me sinto bastante confortável e relaxado com esses caras.


Vocês vem tocado bastante coisa desse novo álbum na turnê?

Mikael: Bastante não. Nós tocamos duas músicas porque nós sabemos que iremos voltar para fazer outra turnê Norte Americana para promover o álbum, então nós queremos ter algumas canções exclusivas para essa turnê. Nós iremos tocar duas músicas agora, e então começaremos a substituí-las e adicionar novas músicas. Nós também nos sentimos como se não estivéssemos apenas promovendo o Watershed, mas sim promovendo todos os outros álbuns. Nós queremos tocar algumas coisas antigas e cobrir o máximo de álbuns que pudermos.


Os fãs têm respondido bem ao novo material que vocês estão tocando ao vivo?

Fredik: Sim, e isso é muito bom.

Mikael: Bem, soa melhor do que as coisas antigas.

Fredik: Quando nós fizemos a Progressive Nation Tour, por exemplo, nós tentamos a “Heir Apparent”, a segunda música do disco. Eu posso dizer que a reação foi mais calorosa do que a das músicas antigas.
Mikael: Nós iremos ver coisas nos fóruns e nos e-mails que recebemos através do Myspace dizendo “Oh, eu quero ouvir as novas músicas”. Só lembrando que quando eu vou para shows como o do Iron Maiden eu fico tipo “Oh, essa é uma música nova”. Essa é uma coisa boa, afinal as pessoas estão ansiosas para ouvir as coisas novas, ao invés de ouvir as coisas antigas.


[Para o Frederik] É mais empolgante para você tocar as músicas que você mesmo trabalhou?

Fredik: Absolutamente. Isso me faz ficar mais envolvido. Eu estava no Arch Enemy antes disso e se eu comparar aquela época com agora, agora é bem mais diferente. Tudo o que eu fazia lá era tocar as coisas do outro cara. Eu me sinto muito mais envolvido agora.


Mas ao mesmo tempo você também toca as coisas antigas.

Fredik: Sim, mas eu amo isso. Eu gosto da mistura que estamos fazendo tocando tanto as músicas novas como as antigas.


É interessante vocês falarem que um monte de pessoas estão enviando e-mails para vocês dizendo que eles querem ouvir as músicas novas. Às vezes você já se sentiu como “Oh, eu tenho que tocar essa música pela milésima vez”. Você se cansa disso?

Mikael: Não, nós não nos cansamos disso. Nós tocamos músicas como “Demon of The Fall” umas mil vezes, eu acho, mas quando você toca ao vivo é diferente. Nós também gostamos que agora nós temos um novo line-up e é bem divertido ensaiá-lo. Isso costumava ser como voltar à escola, mas ao vivo todas as músicas são divertidas mesmo se elas já foram tocadas um milhão de vezes.

Fredrik: As músicas são bem longas, por volta de dez minutos. Não é fácil você ficar entediado com músicas dessa duração.


Você se preocupa com a alienação dos velhos fãs por causa da mudança de sonoridade?

Mikael: Não, mas eu acho que o que nós estamos fazendo na verdade é a única maneira de mantermos todos os tipos de fã. Para ser honesto, sempre que penso que as pessoas têm seus discos favoritos e eras de uma determinada banda, eu penso geralmente que alguém possa estar desejando outro Blackwater Park, mas eu não acho que isso possa satisfazê-los. Eu acho que nós devemos carregar nosso passado conosco, mas ao mesmo tempo tentar sempre desenvolver coisas novas. Sempre que você tenta satisfazer os fãs, você acaba fazendo algo ruim ou maçante.


Falando nisso, vocês concordam ou discordam que isso se aplica ao Metallica? Vocês ouviram o novo álbum?

Mikael: Eu ouvi uma música.


Uma música? E o que você achou?

Mikael: Ela começou como o Load, ou algo do gênero, mas então ela deu uma acelerada e se tornou algo realmente rápido. Eu achei que isso era legal, e um passo na direção correta. Eu acho que isso é meio que um movimento desesperado por parte deles. As pessoas querem as coisas antigas, logo isso soa mais como um passo para trás ao invés de um passo adiante. Eu ainda acho, pelo o que eu ouvi, que esse é o melhor álbum deles desde o Black Album, o que eu acho que seja realmente a verdade. Eu não gosto do Load e do Reload. Nem do St. Anger.


Eu acho que ninguém gosta.

Mikael: Esse último, eu posso definitivamente me ver comprando esse álbum. Eu ainda não o fiz, mas eu poderia. Eu sou um grande fã do Metallica, mas eu não ouvi nenhum álbum bom deles desde 1991.

Fredrik: Você ouviu o álbum todo?


Sim.

Mikael: O que você acha?


O meu ponto de vista é praticamente como o seu. Não é como um passo adiante, e sim como se estivessem tentando recriar algo. Ao mesmo tempo é meio que um movimento desesperado, mas definitivamente é o melhor álbum desde o Black Album.

Fredrik: Agora está mais Thrash Metal?


Existem alguns elementos thrash. Existe algo do Load ali também.

Fredrik: O que eu mais gosto no Metallica são as coisas progressivas. ...And Justice For All, eu amo esse álbum e as coisas mais orquestradas como "To Live Is To Die" e coisas como "Orion". Eu amo essas coisas, e acho que, de alguma maneira, eles não fizeram nada igual a isso desde o Black Album. Como na primeira vez em que ouvi "The Unforgiven" e "Nothing Else Matters", eu achei simplesmente lindo. Isso é algo que eles perderam, eu acho.


Voltando a vocês, como vocês tentam permanecerem relevantes mesmo não recriando nada ou parecendo desesperados. Como vocês analisam isso?

Mikael: Eu não sei. Eu acho que muitas pessoas pensam que estamos desesperados e que nós estamos freando as palhetas ou algo do gênero. Existem mais pessoas que acham que estamos desenvolvendo algo e se tornando uma banda melhor a cada lançamento. Isso é bem diferente de pessoa para pessoa. Eu nunca pensei, enquanto estava escrevendo, em algum álbum em que eu estivesse viciado. As composições desse novo álbum estão todas ali, e não desenterradas do passado. Um monte de pessoas provavelmente odeia isso, mas outro monte ama. Você não precisa agradar ninguém além de você mesmo, e isso é o que tentamos fazer. Eu acho que você pode dizer que a nossa música não tenta agradar os fãs de certo álbum ou era. Nós tentamos apenas agradar a nós mesmos. Eu espero que nossa música mostre isso.


Certamente. Bem, vocês têm essa turnê com o Baroness na segunda metade dela. O que acontecerá depois dela?

Fredrik: Uma turnê Européia como headliners. Tiraremos algumas semanas de folga, e então a turnê Européia começa. Eu acho que tocaremos em uns trinta e cinco shows até o Natal.


Algumas palavras finais sobre algo que vocês queiram que os fãs saibam?

Fredrik: Nós estamos em voltar a viajar, especialmente como ‘headliners’ e tocando longos sets.

Mikael: Nós sentimos falta disso. Mesmo a turnê com o Dream Theater sendo divertida, nós tocávamos por apenas uma hora. Nós fizemos alguns shows à parte, nos quais nós tocávamos como banda principal.

Fredrik: E podíamos fazer boas passagens de som também.


Legal, vejo vocês no show dessa noite.

Mikael: Obrigado.