Publicado dia 27 de Maio de 2009.
Traduzido de: Express Music Out por HypnoToad.
Depois de quase 20 anos, o Opeth ainda pode dizer nunca ter ouvido algo como isso:
"Uh, caras, mmmmmm ééééééé, eu não sei se aquele solo funk cromático de teclado no meio da pesada 'Lotus Eater' realmente se encaixa."
"Nunca disse nada como isso," riu Mikael Akerfeldt, o principal homem do Opeth por trás da mistura de prog-rock, folk e Death Metal sueco. "Nunca ouvimos um executivo de gravadora nos dizer 'Caras, não temos um single.'... Acho que o pessoal das gravadoras, como amantes de música, são tão íntimos da cena metal quanto muitos dos fãs são. Eles têm a mesma probabilidade de ficarem excitados por uma seção funk no meio de uma música de death metal... Quando a Roadrunner ouviu isso, disseram, "Muito legal." Mas nunca nos deram conselhos... Além disso, estamos por aí por quase 20 anos, então por que deveríamos ouvir conselhos agora?"
O Opeth não deveria, e isso é o motivo pelo qual conseguem criar músicas como a "The Lotus Eater" do variado "Watershed", de 2008. É um álbum incrivelmente diverso, ao ponto de ser uma distração, mas o toque algumas vezes e a imensa e intensa capacidade artística do álbum se torna o foco de atenção dos seus ouvidos, e não as mudanças constantes.
Akerfeldt conversou com o Express sobre a influencia do Dream Theater sobre o Opeth, álbuns conceituais, se um personagem do "Metalocalypse" é baseado nele e sobre o suicídio de uma ex-namorada que inspirou três das faixas do Watershed.
Na última vez que tocaram em Washington D.C., vocês abriram pro Dream Theater. Eles foram uma influência pro Opeth?
Mikael: Iniciamos com o death metal e progredimos para um híbrido de estilos variados; eles nunca se aproximaram da música extrema como nós, então viemos de cenas completamente diferentes. Mas eles nos influenciaram muito nos anos iniciais do Opeth. Basicamente eu procurava uma banda nova e contemporânea que tocasse algo mais intrincado, a lá atrás não havia muitas dessas bandas. I ouvia muito bandas antigas como Yes, Genesis e King Crimson, e assim que descobri Dream Theater foi como uma revelação pra mim porque faziam uma mistura de metal com influências de bandas dos anos 70. Então seria correto dizer que foram uma grande influência nos anos iniciais.
Ouvi você dizer que "Watershed" não é um álbum conceitual, mas se não tivesse ouvido isso, estaria convencido de que é.
Mikael: Ele flui como um álbum conceitual — e de certa forma não é um, mas em outra perspectiva ele é. As letras são sobre minhas próprias experiências e como eu me transformei desde que me tornei pai. Isso me mudou completamente, como se tivesse ganhado um novo par de olhos. Mas não é uma história ficcional como um álbum conceitual genérico; não é sobre um personagem.
Antes de se tornar pai, você nunca sabe como esse fato vai mudá-lo, mas muda; o mesmo ocorreu com todos os pais com quem conversei. Essa nova câmara de emoções se abre de uma forma que você não sabia que era possível — e de repente você está em frente à TV chorando por coisas que acontecem no mundo. [Risos]
Algumas das músicas que mencionam crianças são bem obscuras. É você expressando seu medo por elas?
Mikael: De certa forma sim, mas as músicas às quais se refere — como "Hessian Peel" e "Hex Omega" — foram inspiradas por uma ex-namorada que cometeu suicídio enquanto eu estava no estúdio... Ela tinha um filho com a mesma idade da minha filha mais velha, então pra mim foi uma grande fonte de inspiração escrever sobre aquilo; acabei escrevendo três músicas.
A família dela sabe que escreveu essas músicas sobre ela?
Mikael: Nunca falei sobre isso, pra ser honesto. Não havia mencionado de forma alguma em entrevistas. Não nos falamos mais. Ficamos juntos por uns 2 meses, e sempre acompanhei seus passos, e fiquei sabendo que ela virou mãe. Mas quando estávamos juntos, ela sempre teve problemas graves. Acho que ela usava Lithium e estava muito deprimida; sempre foi assim. Sempre ouvia o que ocorria com ela porque nossas mães eram amigas — trabalhavam no mesmo lugar... E nunca houve boas notícias, mas quando ouvi que ela teve um filho fiquei muito feliz e esperava que ela se achasse, se não por ela, ao menos por seu filho. Logo depois ouvi sobre sua morte. Era uma pessoa muito complexa.
Quanto de "Watershed" foi escrito enquanto estava em estúdio?
Mikael: Fizemos alguns álbuns ["Deliverance" e "Damnation", de 2002] onde simplesmente fomos pro estúdio sem nada e escrevemos tudo lá. Mas chegou ao ponto que era trabalho demais pra mim, e fiquei mentalmente e fisicamente abalado fazendo aquilo... Esses dois álbuns quase acabaram com a banda, pra ser honesto, mas por sorte tivemos algumas boas músicas originadas deles... Achei uma boa ideia antes de começarmos o processo [dois álbuns de uma vez] mas depois pensei, "nunca mais"... Então nos últimos dois álbuns [incluindo "Ghost Reveries", de 2005], escrevi quase tudo em casa... Estranhamente, minha ideia pro próximo álbum é um projeto meio mastodonte. Um álbum triplo de grandes proporções [risos]. Não sei porque. Um álbum épico.
Mas você ainda não começou a escrevê-lo?
Mikael: Sou um daqueles caras que não consegue escrever na estrada, e estamos em turnê por um ano, que se extenderá até o começo do próximo ano. Depois vamos ter uma pausa e então começarei a escrever. Mas já tenho a coceira de começar a escrever... Se tiver uma ideia, vou gravá-la no meu celular, mas normalmente não tenho inspiração durante turnês. É um modo de vida completamente não criativo.
Por fim, você já assistiu a "Metalocalypse" e pode confirmar se o personagem Toki Wartooth é baseado em você?
Mikael: Já vi. Não acho que se parece comigo, mas é o que muitas bandas têm me falado. Não conhecia o desenho ou a banda, e de repente recebo uma mensagem no Myspace de alguém chamado Toki Wartooth, e parecia algo oficial. Mas ele escrevia em uma língua estranha, como uma mistura de inglês e uma língua germânica, mas tudo trocado. E pensei comigo, "Que porra esse cara tem de errado?" Perguntei muitas vezes, "Quem é você?", e ele continuava dizendo, "Sou o Toki! Sou o Toki!" Então nunca soube quem estava me enviando mensagens; ele só fingia ser o personagem o tempo todo. Eventualmente perguntei pra ele, "Ouvi dizer que você é eu, basicamente." E ele disse "Sim". Não tenho certeza, mas é o que o cara me disse. Já assisti; ganhei o DVD de um fã. Mas não acho que se pareça comigo; o bigode dele não se parece com o meu... Achei bem engraçado, mas não assisti a tudo. Mas se o cara for baseado em mim, estou muito honrado.