ENTREVISTA COM MIKAEL ÅKERFELDT

Publicado dia 07 de Julho de 2009.
Traduzido de: MyYearBook por Burden.


Você está em sua terceira tour na divulgação do Watershed. Como está sendo a vida na estrada?

Mikael: Está sendo muito boa. Todos os shows que nós fizemos, deixe-me ver, uns oito, foram todos muito bons.


Você gostou de excursionar com o Enslaved?

Mikael: Bem, eu sei bastante sobre a banda. Nós estamos no mesmo selo há uns cem anos. Eu sempre gostei da música deles. Foi uma boa tê-los conosco nessa turnê. Eles são boas pessoas.


Vocês saiam juntos após os shows?

Mikael: Geralmente quando eles acabavam o seu set eles iam ao bar local e tomavam cerveja e outras coisas. Então quando nós acabávamos o nosso set, eles já estavam bêbados demais para poderem sair para algum lugar.


Então o que sua banda normalmente faz após os shows?

Mikael: Nós não festejamos demais. Nós geralmente tomamos um banho e então vamos para o ônibus e tomamos uma cerveja. Isso não acontece muito, nessa vida de turnês. Quando você está na minha idade, sabe? Eu estou com trinta e cinco anos e os meus dias de festa ficaram pra trás. Eu apenas quero trabalhar.


Watershed é o primeiro álbum de estúdio com o Martin e o Fredrik. Você sente que a adição deles à banda ajudou você em sua nova direção com o Watershed?

Mikael: Talvez nem tanto nessa nova direção, mas eles se adaptaram muito rápido ao nosso estilo. O background deles é muito distante do que nós estamos fazendo musicalmente, então é muito bom vê-los se adaptando tão rápido ao nosso estilo. Isso realmente contribui muito para as canções. I não diria que eles mudaram a nossa direção musical. É bem mais como se eu estivesse testando a capacidade deles. E isso funcionou muito bem.


Como eles foram nas perfomances ao vivo?

Mikael: O primeiro show que fizemos com o Fredrik foi estranho – Não porque não tínhamos o Peter lá, claro, após dezessetes anos únicos, ou algo assim. Mas isso realmente não durou muito tempo até que eu sentisse que isso são negócios, como sempre. Eu acho que nós soamos melhor agora do que no passado.


Watershed é o seu nono álbum de estúdio. Vocês vieram por um longo caminho entre diferentes membros e diferentes explorações musicais. Que experiências na carreira da banda você sente que te moldaram?

Mikael: Eu acho que eu aprendi um pouco de tudo. Eu aprendi um pouco sobre composição após escrever música para nove álbuns. Em relação ao atual processo de composição, eu aprendi bastante coisa. Sobre a vida de turnê, é uma visão bem mais rasa. Você vai para o palco e toma umas duas garrafas de cerveja. É basicamente isso que você faz. Existem muitas coisas que eu não estou muito interessado, como por exemplo, o lado burocrático. Você é muito exigido. Você é meio que exigido a se interessar por isso. É um trabalho diário. Eu só estou fazendo isso para ajudar minha família.


Como nos outro álbuns, Travis Smith desenhou a capa para o Watershed. Que parte do trabalho dele te toca pessoalmente e ajuda a se comunicar com o sentimento da música?

Mikael: Essa é uma daquelas colaborações que você trabalha direto durante dez anos. Ele realmente entende o que eu estou dizendo. Nós estamos no mesmo barco. Eu dou-lhe algumas ideias sobre o que eu quero e ele meio que captura isso. Eu recebo milhares de ofertas de outros artistas. Mas, pelo que vejo, ele é o melhor para nós.


A música “Hessian Peel” contém uma gravação invertida que diz –“ My sweet satan”. Vocês estão pagando algum tipo de homenagem ao Led Zeppelin e o seu verso em Stairway To Heaven?

Mikael: Isso é uma referência ao Led Zeppelin. Ela é proveniente das demos que eu fiz. Eu estava trabalhando com a música em meu estúdio caseiro. Eu queria algo para essa parte. E cantei “My sweet Satan” na minha mente. Eu não tinha pensado nisso, aí eu inverti e voilá! É bem do jeito que eu queria. Eu achava que uma vez que estivéssemos no estúdio para escrever tudo de maneira séria, eu apenas escreveria uma boa letra e nós poderíamos usá-la ao invés dessa. Nós tentamos uma diferente, mas não soou boa quando invertida. Eu ainda não tinha nada que soasse da maneira que eu queria, então nós usamos essa demo, que obviamente é uma referência ao Led Zeppelin. Isso não é nenhum tipo de reverência a eles, ou algo assim. É apenas o que saiu. Poderia muito ter sido “estou dirigindo o meu Volvo”. Então não importa muito o que iria dizer. Quando eu ouço isso invertido é o que realmente importa.


Eu acho que você poderia colocar “dirigindo meu Volvo” no próximo álbum.

Mikael: (Risos) Sim, eu poderia...


Quando você está escrevendo uma música, existem certos elementos que você usa em certas músicas para moldá-las, ou essas mensagens e referências são tão manjadas para o seu estilo que você prefere tecê-las mais tarde?

Mikael: Isso realmente depende. Eu trabalhei de diferentes formas no passado. Diversas vezes isso vinha dos estágios das demos, como nos antigos estágios de composição e dependendo do equipamento que eu usava. Algumas dessas gravações eu tinha no passado foram tão ruins que era impossível para mim acabar a música. Então eu acabei com várias partes menores que eu tinha que montá-las no final. Para o último álbum eu comprei o Pro-Tools, que tornou bem mais fácil para mim começar a trabalhar em uma música e parar por um dia para continuar no dia seguinte. No passado, se eu tivesse que trabalhar no dia seguinte, eu começaria do embrião dela, novamente. Agora é bem mais fácil para mim, e mais rápido também. Uma vez que eu começo a escrever, eu sou bem disciplinado. A canção meio que tende a escrever-se sozinha, então eu trabalho bem rápido. No final ela vem com a ajuda que eu tenho, e com os equipamentos que eu tenho. Então para o último álbum eu apenas comecei a trabalhar no começo da música e desenvolvi de lá.


Com um gosto eclético como o seu, eu gostaria de saber que tipo de música você ouve em turnê.

Mikael: Eu tendo a me sentir bastante sozinho em turnê. Então eu gosto de ouvir coisas que fazem-me recordar a minha casa.