ENTREVISTA COM PETER LINDGREEN

Realizada em 2006.
Traduzida de: PyroMusic por Burden.


Bom dia Peter. Como está indo?

Peter: Ótimo! E como está você?


Muito bem! Antes de tudo, obrigado pelo seu tempo, Peter. Estou certo de que você está de ‘barriga cheia’ com o novo álbum e a turnê. O oitavo álbum, Ghost Reveries já saiu há algum tempo e conseguiu entrar no Top 40 Australiano (na trigésima nona colocação, se não me engano). Agora que a poeira baixou você está contente com a repercussão do álbum e como ele tem vendido?

Peter: Sim. Quer dizer, eu sei que ele tem vendido mais rápido que os outros álbuns, mas venda de discos nos dias de hoje não são muito grandes. Nós não somos uma banda que vende muitos discos, mas carregamos uma multidão conosco durante as turnês. Nós estamos em turnê desde Junho do ano passado (Nota: 2005, se não me engano) e tudo está indo muito bem, na verdade.


Vocês estão tocando algumas músicas do novo álbum no momento?

Peter: Sim. Nós estamos colocamos três músicas no set, que tem um pouco mais de uma hora e meia. Ghost Reveries é o álbum que tem mais músicas sendo tocadas.


Tanto os fãs como a mídia tem mostrado reações diversas para o Ghost Reveries. Alguns o amam, outros o odeiam. Tem alguém na banda totalmente satisfeito com a maneira com a qual o álbum saiu?

Peter: Todos estão felizes com ele. A nossa ideia é sempre agradar a nós mesmos. Nós sempre ficaremos felizes com os álbuns. É apenas um ótimo efeito que outras pessoas gostem das músicas, mas o objetivo principal é nos agradar.


Então eu suponho que você esteja dizendo que o ‘Ghost Reveries’ se compara aos primeiros trabalhos do Opeth em termos de qualidade, ou ele excede isso?

Peter: Nós temos certeza que tivemos tempo para escrever e ensaiar as músicas de uma forma bem musical, tocando direito, e esse é definitivamente nosso melhor álbum. Certamente esse é um dos nossos melhores álbuns.


Vocês estão embarcando para uma turnê Australiana pela terceira vez. Vocês têm procurado de alguma maneira voltar para a Austrália?

Peter: Nós estamos sempre procurando voltar para a Austrália, porque nós sempre nos divertimos. Os shows são ótimos, o país é ótimo, e as únicas coisas ruins são os vôos. Eu acho que quando temos dois dias de folga já estamos tentando ser ‘turistas’ de novo.


Como os fãs reagiram à troca radical de gravadoras para a Roadrunner. Eu acho que no começo houve bastante alvoroço, mas como estão sendo as coisas agora?

Peter: Bem, as pessoas estavam preocupadas no começo. Elas pensavam que nos tornaríamos uma banda de Nu-Metal, ou que a Roadrunner iria mudar a gente, mas as pessoas podem ver que agora, depois de tudo, nós não mudamos. É muito tarde para isso. Nós poderíamos ter feito isso há dez anos atrás, mas não agora. Nós nunca deixaremos alguém interferir em nossa música. A única coisa que estamos usando da Roadrunner é a sua habilidade em vender álbuns. No passado as pessoas chegavam para a gente e diziam que era difícil encontrar alguns dos álbuns mais antigos. A ideia geral é que a Roadrunner vende os álbuns e nós cuidamos do resto. Eles não irão interferir, eles não tem nada o que dizer da nossa música, na verdade. Eu acho que eles estão fazendo um bom trabalho, mas nós não iremos deixar eles nos colocar no rap nem em nada [risos].


Então, comparando com a Music For Nations, Peaceville e Candelight, eles estão fazendo um trabalho melhor na divulgação do álbum e levando-o para todo mundo?

Peter: Isso mesmo. Nós tínhamos um grande relacionamento com a Music For Nations, mas eu acho que eles não tinham uma potência econômica para levar o álbum para todos os lugares. Na Europa e principalmente no Reino Unido eles estavam indo bem, mas em todos os outros lugares não estavam vingando. Nós adoramos de verdade a gravadora, mas queríamos uma melhor organização e promoção para os nossos álbuns e eu acho que agora nós temos isso.


O Opeth começou a trabalhar no novo material que originaria o ‘Ghost Reveries’ nesse estágio?

Peter: Na verdade não. Nós nunca escrevemos na estrada. Basicamente porque necessitamos de uma folga, tirar um tempo de descanso para estar apto a compor e quando nós temos essa pausa nós compomos bem rápido. Não temos nada escrito no momento, mas em breve daremos uma pausa para começar a compor novamente.


Na sua opinião, quando você gostaria que o álbum tivesse sido lançado?

Peter: Na minha opinião, há um pouco mais de um ano atrás. Era isso o que nós planejávamos, mas sempre existem atrasos e isso também depende da quantidade de turnês que nós fazemos.


Você está por dentro de quantos álbuns vocês têm em contrato com a Roadrunner?

Peter: Sim. São quatro álbuns, eu acredito. ‘Ghost Reveries’ é o primeiro deles, então virão por aí mais três álbuns, mas de qualquer forma... você nunca sabe o que pode acontecer...


É provável que os fãs vejam outro DVD do Opeth em um futuro próximo?

Peter: Existem planos para algo novo, mas nós temos o problema de ter passado por quatro diferentes gravadoras, e temos que fazer um acordo pelos direitos das músicas que nós mesmos escrevemos. Eu não estou muito ligado com esse lado dos negócios, mas em breve teremos todas as posições sobre isso e iremos gravar outro DVD.


Vocês continuaram lançando versões em vinil dos seus álbuns?

Peter: Sim. Existem versões em vinil de todos os álbuns, exceto Deliverance.


E eu tenho todas [risos].

Peter: Sério? Que legal. Somos todos colecionadores de vinil. Basicamente nós não sentimos que um álbum foi lançado até ele ter a sua versão em vinil.


O Opeth alcançou um valor fenomenal no mainstream mesmo sendo uma banda de metal. Isso quer dizer que muitas pessoas tem escutado as suas músicas mesmo não sendo ouvintes de metal. O que você acha disso?

Peter: Bem legal. Nós não somos uma banda comercial no sentido de fazer um monte de vídeos e músicas na rádio, até porque as músicas são muito longas e complicadas, mas eu acho que nós temos partes de músicas que podem agradar a todos. Se você não é um headbanger você pode continuar ouvindo o ‘Damnation’ ou as baladas dos outros álbuns. Se você gosta delas e tem mas paciência para ouvir as músicas mais pesadas, acho que você pode realmente entrar na nossa essência. Eventualmente você irá gostar dos vocais mais pesados e das músicas também.


Eu ouvi falar que você tem um gosto musical bem variado. Que bandas ou álbuns você tem escutado ultimamente? Alguma banda que você gostaria de mencionar aos leitores?

Peter: Obviamente Katatonia, já que são amigos nossos e uma grande banda que precisa de mais reconhecimento. Tem também uma banda norueguesa chamada Madder Mortem.


Com certeza.

Peter: Ah, você já os conhece. Nós fizemos uma turnê com eles, mas eles não são realmente uma banda de turnês. Eles terão um pouco de dificuldade para divulgar o nome deles, mas essa é outra grande banda merecendo reconhecimento. Eles são totalmente únicos.


Opeth trabalhou várias vezes com o artista Travis Smith e ele liberou algumas capas e encartes maravilhosos. Essa parceria continuará no futuro?

Peter: Nós sempre trabalhamos um álbum de cada vez, e no momento não temos nenhum plano em vista. A trabalho de arte é a última coisa que fazemos em cada álbum, mas ele vem sendo um cara fácil de trabalhar, e ele sempre aparece com umas ótimas ideias e é bem conveniente para nós trabalhar com ele. Nós estamos com ele desde que o conhecemos e espero muito que isso continue.


O quão envolvidos estão vocês com o trabalho artístico? Vocês dão a ele um conceito, uma ideia, ou o deixa ler as letras para que ele desenvolva uma ideia disso?

Peter: É como um diálogo. Nós damos a ele uma ideia, letras, e dizemos a ele o que estão querendo. Então ele volta com algumas ideias. Nós dizemos “Essa está ótima, mas você poderia fazer isso ou aquilo”. É um diálogo contínuo no qual nós mandamos ideais e recebemos outras em troca. Estamos trabalho juntos e isso funciona bem.


Os resultados finais vêm sendo excelentes.

Peter: Eu também acho!


Que eu me lembre, a única mudança da formação do Opeth que aconteceu desde ‘My Arms, Your Hearse’, foi a adição de um tecladista. Vocês estão trabalhando bem juntos e têm ficado com ele na maior parte do tempo?

Peter: Estamos. Especialmente considerando o fato que estamos viajando há dezoito meses e estamos bem próximos um do outro. Nós temos um relacionamento ótimo. Nós não somos apenas membros de uma banda, somo amigos também. Passando tanto tempo junto nós aprendemos como fazer as coisas da maneira certa. Não existem brigas. Nós tentamos sentar e discutir as coisas. Existem personalidades na banda que são um tanto diferente, mas isso é legal. É uma perfeita irmandade.


Você pode me contar como é o processo de composição e gravação de um álbum do Opeth? Vocês ficam bastante limitados à sua função na banda? (Mikael fazendo as letras e as guitarras, Martin no baixo, você na guitarra, etc.) ou vocês todos ficam trocando ideias?

Peter: Ninguém menciona uma ideia a menos que ela seja boa o bastante para ser usada. Mikael é quem escreve o material, mas é ideal que ensaiemos como fizemos nesse álbum, então quando nós pegamos as músicas juntos nós as ensaiamos e as rearranjamos, e todos dizem o que acharam. Então entramos no estúdio e todos gravam as suas partes, mas estamos todos por perto quando alguém tem uma idéia nova. Eu poderia chegar para o Mendez e dizer“Tente isso” e se soasse bem, nós usaríamos aquilo. É uma grande democracia, na verdade, com um líder bem forte [risos].


É muito difícil continuar?

Peter: Na verdade não. Nós queremos agradar a nós mesmos, então cada um na banda deve estar feliz com o álbum. Se alguém não está feliz com alguma parte, nós a mudamos até que todos estejam felizes. Nunca houve um caso em que três pessoas acharam uma música ótima e outros dois a acharam uma merda e nós a lançamos. Nos tentamos trabalhá-la até que todos estejam contentes com o resultado.


Falando agora sobre o videoclipe que já estava pronto no lançamento do álbum. Como foi fazer um videoclipe?

Peter: Basicamente, um pesadelo. Quando você faz o seu primeiro vídeo você fica esperando um monte de coisas dele. Nós queríamos que fosse um bom vídeo. Nós estávamos em turnê na América do Norte e nós tivemos que filmar esse vídeo. Nós realmente não sabíamos o que estava acontecendo. No dia em que estávamos em Los Angeles nós fomos avisados de que teríamos que gravar o vídeo naquele dia. Nós realmente não fazíamos ideia do que estava se passando. Não tínhamos nenhuma informação. Nós simplesmente ficamos sentados lá esperando o pessoal chegar. Quando nós finalmente chegamos lá, estávamos tão putos que só pensávamos “Vocês podem se fuder!”. No final nós decidimos fazer isso porque (nós achávamos) que a gravadora já tinha gasto o dinheiro com aquilo, então acabamos decidindo “Vamos fazer isso e deixar pra lá...”. A versão final não ficou muito boa. O vídeo não tem nada a ver com a música. Tem umas cobras e umas garotas... Eu acho que é uma música malvada, e não é só dessa maneira que as coisas funcionam.


Você acha que chegará a um ponto em que o Opeth estará apto a fazer um vídeoclipe para uma música no qual o Opeth esteja por trás do conceito e a música esteja apta a ser tocada na íntegra, sem edições?

Peter: Eu espero que sim, mas a televisão hoje não permite que a duração passe de alguns minutos. As pessoas mudarão de canal caso o clipe seja muito longo e creio que isso seja um problema. Há vinte anos atrás as pessoas tinham paciência para assistir um vídeo de treze minutos. Atualmente, ninguém mais parece ter paciência, então eu acho que estejamos inaptos a fazer isso. Eu penso no que o Metallica fez com “The Unforgiven”. É um vídeo de oito minutos. Eu o assisti somente uma vez, e todas as outras eram versões editadas. Eu acho que se fizermos um clipe de doze minutos ele pode ser editado antes que saibamos disso.


Como um dos dois únicos membros originais, você gostaria que o Opeth continuasse lançando discos daqui a dez anos?

Peter: Se estivermos lançando bons discos, sim. Até o momento em que tivermos algo para dar, eu espero que a nós continuemos. Assim que começarmos a perder nossas ideias, pararemos. Espero que vejamos isso antes do que qualquer um, para que possamos acabar a tempo.


Como a turnê Australiana está vindo por aí, você pode me dar uma ideia de quanto tempo o Opeth tocará em seus próximos shows na Austrália?

Peter: Eu diria que por volta de duas horas. Esse é típico set que nós fazemos. As músicas são tão longas e nós temos tantos álbuns que a duração tem que ser essa mesmo.


O set será voltado para as músicas mais suaves, para as mais pesadas, ou para um misto de ambas?

Peter: Será uma mistura. Não será como o DVD que lançamos. Nós misturaremos bastante as músicas, mas não muito. Estamos mostrando canções de todos os álbuns nesses shows, mas obviamente focando no novo álbum.


Alguma chance de eu ver “To Bid You Farewell” ou “The Moor” nos shows em Sidney?

Peter: Você quer uma resposta bem direta? [risos]


Claro.

Peter: Provavelmente não.


Só fiz por perguntar. Você está envolvido com algum projeto paralelo no momento ou considerando fazer algum?

Peter: No momento não. Estamos sempre em turnê, então eu acho que não tenho tempo. Assim que volto para casa, tento trazer minha vida social de volta aos trilhos. Eu preciso descansar para poder ter tempo de fazer isso. Todos os outros têm projetos paralelos, mas não estamos fazendo nada no momento pois estamos na estrada.


Uma outra pergunta. Honestamente, você fica enjoado em fazer tantas entrevistas? Eu imagino ficar ouvindo as mesmas perguntas toda vez, o que acaba tornando tudo muito ‘mundano’.

Peter: Nós tentamos dizer todo o necessário, mas não muito. Mikael e eu fazemos mais entrevistas do que os outros caras, mas nós tentamos botar tudo pra fora. Hoje eu tenho um cronograma de entrevistas, então eu sei o que está acontecendo. É bem melhor fazer uma entrevista aqui, e outra ali. Eu não amo fazer entrevistas, mas isso não é tão ruim.


Fantástico!

Peter: Beleza! Eu irei lê-los depois.


Obrigado pelo seu tempo, Peter. Eu estou me preparando para ver vocês em Sidney no fim do mês. Se tiver algumas palavras finais, manda ver.

Peter: Nós estamos realmente procurando voltar logo para a Austrália. Lá é fantástico. Os shows são fantásticos e nós amamos tudo lá. Nós estamos realmente procurando por isso. Lá é o ponto alto das turnês, na verdade. Obrigado.