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Escrita por Alderane - postada em 18/12/2008
Esse foi o primeiro cd da banda que eu tive oportunidade de ouvir. Posso dizer que foi interessante ouvir esse tipo de som, pois até então ainda não tinha provado dessa mistura.
Orchid pode ser considerado um marco no jeito como se toca death metal. Mesclando elementos como violões e passagens mais harmônicas com a fúria própria do estilo. O vocal de Mikael Åkerfeldt está realmente fantástico nesse álbum.
A destruição começa com a voadora no estomago In Mist She Was Standing, com uma entrada matadora e bem pesada. E quando você pensa que acabou a música, eis que eles quebram totalmente o riif, impondo um clima bem mais leve com violões e harmonias bem trabalhadas, apresentando ao publico aquela que seria a marca registrada da banda.
O trabalho segue com Under the Weeping Moon (e seu riff calcado no thrash) e Silhouette (um solo de piano que te faz ter raiva do dia em que abandonou a escola de musica).
Forest of October, a melhor desse álbum na minha opinião, vem logo na seqüência e apresenta ótimas linhas de guitarra, ao melhor estilo prog metal. O contraste de voz gutural com voz limpa é feito de maneira impecável pelo Mikael.
E finalizando o CD, temos The Twilight Is My Robe, Réquiem, um solinho de violão bem sombrio e bem executado servindo de base para a musica seguinte, The Apostle in Triumph (que começa com violões e termina na mais pura selvageria). Recentemente esse álbum foi relançado, tendo Into The Frost Of Winter como bônus.
No geral, esse é um cd apaixonante, mas tem pontos fracos como todas as coisas no mundo.
Ao meu ver, eles conseguiram um bom equilíbrio entre inovação e classicismo, obtendo um CD que não é chato. Em contra partida, as melodias por demais longas acabam enjoando um pouco o ouvinte, somando isso ao fato das musicas, com exceção de alguns momentos, terem basicamente o mesmo riff, o que acaba dando a impressão de se estar ouvindo a mesma musica a horas.
Ainda assim, Orchid é um excelente trabalho de estréia!
NOTA: 9
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Escrita por Tirolez - postada em 28/12/2008
A produção desse álbum não é nenhum primor, mas assim como outras pessoas aqui, acho que exatamente esse som mais "abafado" digamos assim, dá um ar até mais sombrio às músicas.
Falando nelas, ainda estão num estilo bem parecido com o Orchid, ou seja, alternando passagens "soco no estômago" e violões. Esse é, ao meu ver, um dos defeitos dessa fase inicial do Opeth. Vejam, eu amo essas alternâncias no Opeth, mas nesse começo de carreira ainda acho que elas eram feitas de forma muito abrupta: eles param a música e depois de uns 4 segundos começam de novo a música com um outro som...parece que são duas diferentes! Ouçam "Drapery Falls" do BWP em 07'10'' pr vocês verem como lá eles já tinham aprendido a fazer!
Advent - Começa bem, no melhor estilo Opeth de ser, com um vocal bem rasgado do Mikael e uma melodia bem bacana. Aos 03'20'' temos a primeira inversão, e eu particularmente gosto bastante do som do violão que parece uma mosca nessa parte. Aos 5'47'' temos uma ótima bela virada, que não ficou abrupta como eu comentei mais acima! Aqui eles acertaram a mão! tongue.gif E a parte que se segue é um Mikael com uma voz fodástica! Aos 8'29'' percebemos o porquê do Opeth ser tão magnífico: o Mikael berrando "Shadows skulk at my coming" é ao mesmo assustador e belo!
The Night and the Silent Water - Eu não gostava dessa música, confesso. Depois que ela saiu no RoundHouse, entretanto, tive que me render! Começa num ritmo bem cadenciado, com um riff bem gostoso de ouvir e que gruda na cabeça. Aos 02'50'' vem a primeira passagem acústica, com uma voz lindimais! Essa parte vai até aproximandamente os 05' quando a banda começa a quebrar tudo na minha opinião. Aos 06'35'' uma passagem que eu acho que podia ser melhor aproveitada, mas o que se segue depois é um violão apenas bom (comparado com outros que o Opeth já fez). Mas isso é a preparação pra um dos finais de música mais matadores que o Opeth já fez, meu deus, é assustador! A preparação começa aos 08'32'', e aos 09'23'' vem a diferença dessa música no Morningrise e no RoundHouse Tapes: no Morningrise, Mikael começa com um sussurro animal, no RRT, ele canta essa parte com um gutural de cair o queixo !! Ambas têm o seu charme, mas achei que o gutural combinou mais com a melodia de fundo !! No Morningrise, a música ainda termina com um violão ao fundo.
Nectar - Na minha opinião, a mais fraca do Morningrise. Mas vamos lá: adoro o baixo dessa música, especialmente aquele solinho aos 0'37''. Começa como um chute no estômago, e aos 01'34'' vem a primeira virada, que dura pouco e já é seguida de um riff muito bom! Mas aos 03'13'' vem o som de um, o que seria isso? Um teclado? Enfim, acho que não combinou nada com a música, apesar de ser bem rápido. Aos 03'59'' um solinho muito bem executado! Aos 07' começa uma parte acústica muito linda, mas, de novo, aquém de outras que o Opeth já fez. E finalmente, aos 09' começa uma parte "bate-cabeça" já sinalizando o final da música com uma importante participação do baixo e... ploft, a música termina DO NADA!
Black Rose Immortal - Bom, o que dizer de uma música que já me fez chorar enquanto dirigia no carro? Bom, ela começa quebrando tudo, com uma cozinha fantástica, e um vocal rasgadasso, que consegue manter a consistência e coerência com a melodia o tempo todo! Aos 01'50'' a primeira virada, lindíssima! Mas o Mikael ainda não está pra brincadeira, e logo aos 02'16'' já recomeça a parte pesada com um riff mais do que marcante! Aos 03'10'', o Mikael gritando "In the niiiiiight..." parece saído de um filme de terror! Aos 04'10'' começa uma nova parte com violão (depois de uma daquelas paradas de 5 segundos sem som nenhum a que eu me referi no começo da resenha dry.gif ) Aos 05'09'' começa uma parte perfeita pra se banguear vertiginosamente, com um vocal novamente animal! Com uma nova virada aos 06'00 que dura apenas uns 3 segundos, acho que essa é uma das músicas do Opeth com mais viradas de ritmo. Bem, aos 08'09'' uma parte pesada, perfeitamente bangueável, uma das que eu mais gosto na música, que nos prepara pra uma das partes mais lindas não só da música mais da carreira do Opeth: aos 08'52'', quando o Mikael começa "Eyes attach to your mute portrait, we spoke only through thoughts...", quem não sente um frio na espinha? Ele cantando à capela com um eco que torna essa parte sensacional, que, naquilo que eu descrevi no começo da resenha da música, me fez vir as primeiras lágrimas. E que som é esse que começa logo ao final da fala dele? Sinceramente, me parece um teclado, mas não me arrisco a afirmar com certeza. E quando ele se junta com o solinho de violão, meu deus, é magnífico! Pois bem, aos 09'42'' (logo em seguida) começa uma das partes acústicas mais belas da carreira do Opeth na minha opinião, onde, nessa minha situação do carro, as lágrimas que estavam se segurando já não aguentaram mais... onde a voz que o Mikael faz casa perfeitamente com o cadenciamento da música, e a emoção que ele transmite é indescritível !!! E o "...but still so precious" sussurado no final! Saído de um filme de terror! A levada pesada que vem depois aos 12'20'' acompanha a parte acústica (e isso foi mt bem feito pela banda) e completa o vocal do Mikael dando uma dose de emoção nessa música impressionante !! Aos 14'28'' temos o começo da preparação para o "black rose immortal..." sussurado com maestria ímpar !!! Bom, devo confessar, que apesar de toda a minha paixão pela música, que ela dá uma caída depois disso...e os 5 minutos finais dela se tornam, pra mim, um tanto quanto repetitivos (não que eu não ouça sempre a música até o final), mas principalmente a partir dos 17' já começo a dar uma espairecida. Bom, isso não tira nem um pouco o brilho da música! Um épico, podem ouvir sem medo nenhum !! 20 minutos passam rápido demais! Curiosidade: essa música era pra ter entrado no Orchid, mas por motivos óbvios não entrou (um CD só tem capacidade para 80').
To Bid you Farewell - Começa com uma levada acústica lindíssima, com uma importante participação do baixo. O Mikael começa a cantar apenas aos 03'25'' com uma voz limpa e, o que é interessante, diferente de outras faixas limpas do Opeth até então. Parece até que ele está cantando em um megafone, mas que não tira em nada o brilho da música! Aos 03'55'' começa um solinho que parece um blues, lindimais, que dá um toque mais emocionante à musica! E ela vai numa levada cadenciada, gostosa de se ouvir, com alguns efeitos "whoa-whoa" de guitarra pra deixá-la mais viajante ainda! Aos 07'07'' começa a parte pesada da música, no mesmo cadenciamento, mas sem guturais, com um backing vocal (será que foi o Peter ?) muito bom, até o final.
Eternal Soul Torture - Assim como as bônus do Orchid, o som dessa parece tirado de um ensaio da banda feito numa garagem! Parece aquelas músicas de álbuns de Black bem sujões, sabem? Não sei, é boa como bônus, mas na minha opinião a mais fraca do álbum junto com a Nectar. Uma curiosidade interessante: na re-edição do Morningrise o Mikael escreve na contra-capa que essa música foi feita em 1992 e anos depois quebrada em algumas partes, que foram usadas na música de abertura desse álbum - Advent, no caso. Confesso que ainda não tive tempo pra ver as partes que são iguais / parecidas, mas fica aí a dica pra quem se interessar.
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Escrita por Tito James - postada em 18/01/2009
Tarefa prazerosa resenhar esse album. Difícil é encontrar as palavras certas para descrever os sentimentos evocados pelo mesmo. Após o violento Deliverance (na verdade foram gravados ao mesmo tempo), o Opeth nos presenteia com mais um disco pesado, só que desta vez não se trata de peso sonoro, e sim, densidade. Nada de vocais guturais, bumbos velozes, riffs distorcidos. Damnation é um disco substancial, rico, provocante, intenso. Magnífico.
Segue-se uma análise pessoal faixa-a-faixa:
Windowpane – Uma introdução valseante dá início a mais longa e mais bem trabalhada faixa do disco. Uma canção contemplativa, o momento zen do Damnation. Nela percebemos os elementos principais que são utilizados em praticamente todas as faixas: As bases dedilhadas e as harmonias de mellotron, que dão um clima denso e atmosférico ao disco. Destaque para os solos incrivelmente melódicos de Akerfeldt, esbanjando feeling sem excessos guitarrísticos. A transição que aparece aos 3:50 traz um ar de suspense fantástico. Deliciante, a primeira chegada ao nirvana nessa obra, arrepios garantidos. E o disco só começando...
In My Time Of Need – Em constraste com o clima zen de Windowpane, In My Time Of Need é o primeiro momento melancólico do Damnation. Mas não trata-se de um sentimento depressivo, é algo nostálgico e enlevante. O jogo de sílabas nos versos iniciais soa muito interessante, mas é indescritível a sensação que toma conta dos ouvidos na ponte e no refrão. Na ponte vemos algo que o Opeth aprendeu muito bem com seus mestres progressivos: as harmonias não convencionais, que mesclam estranheza com beleza, fugindo do óbvio. As viradas vigorosas de Lopez são um capítulo a parte, imprimindo força à singeleza da canção. No refrão, o mellotron se impõe grandioso, e a voz suave de Akerfeldt... Sem mais palavras, impossível conter as lágrimas.
Death Whispered A Lullaby - Mas uma base dedilhada, com um cariz bem sombrio. Vemos claras influências jazzísticas, principalmente no refrão. Destaque para a levada assimétrica de Mendez em grande parte da música e os solos nervosos e carregados de delay de Akerfeldt no meio e fim da canção. Soberbo.
Closure – Momento psicodélico do álbum. Os violões dessa faixa são fantásticos, Akerfeldt é simplesmente genial quando se trata de “transgressões” harmônicas. Nós, meros ouvintes, simplesmente não conseguimos prever o que vem à frente no decorrer da música. Em Closure temos também os momentos mais pesados do disco. Peso em forma de vigor rítmico e algumas bases distorcidas de guitarra. E a frase de guitarra que conduz ao fim da canção é cortante e sombria. Genial. Abruptamente ela dá lugar a...
Hope Leaves – A canção mais singela do álbum. Mais uma bela base dedilhada (Lindgren as executava de forma magistral), mellotrons aparecendo mais discretamente, tudo combinando com o espírito da música. O grande destaque mesmo é o vocal incrivelmente tocante do Akerfekdt (imaginar que essa mesma voz angelical produz guturais demoníacos!) Uma linda e singular peça.
To Rid The Disease – Sou suspeitíssimo pra falar dessa jóia rara, minha faixa preferida, pra mim é ela que torna Damnation uma obra prima. A transição onírica dos versos para o refrão, o clima etéreo que permeia toda a música, são coisas difíceis de explicar por serem sentimentos a nível pessoal. O solo do Akerfeldt prova mais uma vez que não é preciso velocidade nem virtuosismo para tocar com a alma. A passagem de piano é de gelar a espinha... tudo conduzindo a um final mágico (a versão ao vivo soa ainda mais etérea e viajante). Lágrimas inevitáveis. Alma lavada após a audição.
Ending Credits – Uma jam instrumental, onde todos os instrumentos montam uma “cama” perfeita para o solo mais uma vez cheio de feeling de Akerfeldt. Destaque para a dobra final.
Weakness – Um encerramento intimista, recluso, monolítico. Apenas uma base de teclado e algumas tímidas frases de guitarra, que tem sua beleza especial. O dueto de voz próximo do término é o último momento glorioso do disco.
Vale ouvir a versão ao vivo do disco, executado na íntegra no DVD Lamentations – Live at Shepherd’s Bush Empire 2003 (e com Harvest de brinde no meio da seqüência).
Algumas partes ficaram mais interessantes ao vivo. Sou um tanto avesso às “telephone voices” que Steve Wilson trouxe pro Opeth (idéia sugerida por ele e presente desde o Blackwater Park, mas acho que combina mais com a sonoridade do Porcupine Tree), então essas passagens ao vivo me soaram mais agradáveis. Porém alguns duetos de voz fizeram falta ao vivo.
Como amante do rock progressivo, esse disco me deixou muito feliz. Feliz ao ver uma das bandas mais competentes, criativas e originais da atualidade dando vazão à melodia, à sua veia progressiva. Em tempos de música fast-food, eis um banquete azeitado! Uma “maldição” que se torna benção aos ouvidos e à alma.
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Escrita por Burden - postada em 13/01/2009
O álbum começa com Coil, uma escolha inusitada para se iniciar um disco, afinal é uma música acústica bem suave e calma, mas você percebe que, como disse o Mikael em algumas entrevistas, aquele era o lugar perfeito para ela. A voz entra e começa a cantar “She told why. She told me lies”. Desse momento em diante você já está ligado na música, e corre o risco de viciar nela. O trabalho dos violões aqui é simplesmente fantástico. A melodia do trecho “And I can see you, running through the fields of sorrow” é lindíssima, e fica na cabeça durante muito tempo, que você se pega cantando essa trecho nos momentos mais improváveis (eu sou uma prova viva, afinal fui cantar ela no meio da rua, e o povo ficou olhando com uma cara bastante estranha). Eis que entra uma linda voz feminina, que transmite um ar maior de melancolia para a música. Curiosidade: Essa é a primeira vez que o Opeth trabalha com vozes femininas, e o resultado final saiu magnífico!
O play continua com Heir Apparent e seu riff bem sombrio e arrastado. Uma melodia tão sombria quanto é tocada no piano por Per Wiberg. A voz entra muito gutural, com os bumbos duplos do (não tão) novo baterista Martin Axenrot comendo soltos. A música segue com a mesma brutalidade, só que dessa vez tendo os teclados fazendo um ‘clima’. Após um solo muito bem executado, a primeira variação da música: ótimo trabalho acústico, com um tecladinho de fundo, simplesmente lindo. Mas a tranqüilidade não demora muito e a música volta mais rápida e brutal do que antes, até uma parada brusca, onde voltam os violões. Um solo cheio de reverb aparece para encantar os ouvintes com sua melodia viajante. Novamente o peso reaparece rápido e brutal, lembrando até um pouco o Krisiun. Nessa parte podemos destacar os vocais do Mikael, que estão mais guturais do que nunca, e a performance de Axenrot, simplesmente perfeita. Nos minutos finais, após uma quebra no ritmo, a música retorna a uma parte mais tranqüila, marcada pelas viradas elaboradas do Axe, que assim se segue até o fim. Destaques: Certamente essa faixa deve ter sido escolhida para que Axenrot mostrasse todo o seu potencial. Ao contrário de Mendez, que tinha umas quebradas mais voltadas para o jazz, Axe se mostra um perfeito baterista de Metal, apesar de conseguir tocar outros ritmos com competência. Essa música é a prova viva disso. P.S.: Blastbeats rules.
The Lotus Eater começa com Mikael cantarolando uma melodiazinha, com o teclado fazendo a harmonia. Depois de uma virada ótima de Axe a música começa com um instrumental bem pesado, mas com os vocais limpos de Mikael, que logo variam para o gutural, variação essa que permanece durante toda a música. Melodias viajantes da guitarra contrastam com as distorções e as já conhecidas viradas cavalares na bateria. A calmaria aparece com as harmonias do teclado, que logo ganha o violão como companheiro. Uma linha bem legal de teclado anuncia a entrada de uma das melhores partes da música. Groove nota mil, e uma cozinha muito bem estruturada. A parte mais pesada volta, mas com os vocais limpos predominando. Como disse antes, a variação vocal predomina nessa música, e logo os guturais estão de volta novamente, muito pesados e rasgados. Uma parada brusca anuncia o último minuto da música, que se segue com umas conversas que acontecem com todo o clima do teclado de Per Wiberg.
Hora da melhor música do álbum! Os teclados que introduzem Burden são bem tristes, assim como as melodias da guitarra. “I, once upon the time / carried a burden inside”; esse trecho transmite todo o feeling da música para o ouvinte. Melodias tristes de guitarra acompanham o vocal durante o restante do verso. Um ótimo solo de Hammond serve para mostrar todo o potencial do tecladista Per Wiberg, que nos remete às bandas clássicas como Yes e Deep Purple. O vocal volta trazendo toda a melancolia da letra. O duelo de solos entre Mikael e Frederik são simplesmente lindos e viajantes. E quando eles decidem se juntar então, melhor ainda. A melodia dobrada traz um ar que nos remete diretamente ao Pink Floyd. Ótimo trabalho que o Frederik está fazendo. Espero que ele consiga um lugar na banda, algo que conseguiu no Talisman e nem tanto no Arch Enemy. O problema é que ele vai ter que suar bastante para compensar a saída do Peter Lindgren, grande ídolo dos fãs do Opeth. Mas desejo boa sorte a ele. O final vem com um dedilhado estranho no violão, e acaba com uma risada do Mikael que é duplicada pelo sintetizador do Per, algo bastante interessante. Curiosidade: Segundo uma entrevista concedida pelo Mikael, a letra dessa música foi escrita para uma namorada dele que acabou se suicidando. “The Ocean of Sorrow is you...”
Outro riff arrastado denuncia o início de Porcelain Heart. Depois do riff, um belo dedilhado no violão, que logo é acompanhado pelo vocal. Essa música tem belas linhas vocais, ponto pro Mikael. Após uma pequena pausa dramática, a volta com o riff arrastado e um trabalho monstruoso do Axenrot. Sem dúvidas, uma grande aquisição para a banda, e um ídolo para aqueles fãs de Death Metal ou de coisas mais rápidas na bateria. A parte acústica aparece novamente, e aproveito para destacar a letra da música, uma obra de Mikael Akerfeldt. Combina bastante com o instrumental. Outra mudança e caída na parte pesada, com direito a um ótimo efeito de coro. A música dá uma parada brusca, para uma linda melodia da guitarra de Akerfeldt. A entrada brusca para uma parte acústica é inusitada, porém genial. A parte acústica, inclusive, é uma das mais lindas do Opeth. Volta para a parte mais pesada da música, com um lick psicodélico servindo de guia para os outros instrumentos. Eis que o ‘coro’ ataca novamente. Ótimo trabalho do Mikael, diga-se. Segue assim até o fim da música, onde o lick é tocado isolado até o seu derradeiro momento, com um fade-out.
É com outra linda parte acústica que o Opeth nos mostra Hessian Peel. Uma melodia característica na guitarra dá um ar viajante. Mikael começa logo a cantar, uma letra bem triste por sinal. O teclado acompanha a melodia da guitarra dando um efeito bonito. Eis que Mikael começa a cantar uma coisa sem nexo, palavras soltas. Na verdade, é uma mensagem subliminar falada ao contrário: "I see you / My sweet Satan / Come back tonight / Out of the courtyard". A música continua com o efeito do teclado e guitarra, até cair novamente na parte mais acústica, e assim sucessivamente. Essa música é bem viajante, dá para sentir a influência do Pink Floyd. Um piano calmo e sombrio servem de porta para a parte pesada da música com bumbos duplos comendo soltos e o velho gutural de Mikael. Riffs certeiros e licks do Death Melódico são a tônica nessa parte da música. Outra frase invertida, “They’ll lock your reasons why”, mostra a volta para uma parte mais quebrada, com os vocais limpos de Mikael e uma levada de bateria que lembra Martin Mendez. Vozes duplicadas e um clima bem soturno com muita cama do teclado e umas partes acústicas marcam esse trecho da música. Nos minutos finais o peso dá as caras novamente, dessa vez mais quebrado um pouco, mas ainda assim com ótimo trabalho de todos os músicos. A música chega ao fim com um lick e uma linha de teclado um tanto psicodélicos, e que acabam repentinamente dando espaço à Hex Omega, que começa lembrando trechos da faixa anterior, com destaque para o baixo pesado de Martin Mendez. O teclado traz um som ambiente para a voz do Mikael recitar outra linda letra. Certamente um momento viajante. Um trecho pesado serve de ponte entre as partes leves da música. Uma guitarra bem distorcida e abafada, bastante Black Metal, leva novamente à parte pesada, que conta com ótimas viradas de Axe. Novamente o teclado fica fazendo um efeito de órgão, algo que remete às composições clássicas do período barroco, mas logo após a música termina, repentinamente.
Considerações Finais:
Um ótimo álbum, que expõe a veia progressiva do Opeth aos limites. Os novos músicos fizeram um trabalho perfeito, e os antigos continuaram detonando. Destaque máximo para Martin Axenrot, que deve ter destruído o kit de bateria umas dez vezes! Monstro total \o Agradecimentos especiais ao Mikael, por ter composto tão lindas canções, como Coil, The Lotus Eater, Burden, Porcelain Heart, Hessian Peel. Ótimo álbum para ser ouvido na íntegra. Nota 10 reverencia.gif
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